segunda-feira, 30 de maio de 2011

A noção de estrutura em etnologia - Claude Lévi-Strauss

LEVI-STRAUSS, Claude. “A noção de estrutura em etnologia”. In. Antropologia estrutural. 5 º Ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1996.

Ao falar-se em estrutura social, dá-se atenção aos aspectos formais dos fenômenos sociais. As pesquisas estruturais não esperam que as ciências mais avançadas possam fornecer modelos de métodos. Na tentativa de entender o que é a estrutura social e que estudos lhe dizem respeito Krober diz que a noção de estrutura é dada por certo modismo, isso leva o termo a ser usado para definir as mais variadas coisas. As afirmações desse autor colocam em dúvida o uso de estrutura em antropologia. Assim uma definição do termo estrutura faz-se indispensável. O que se busca aqui é a estrutura da noção de estrutura e depois comparar esta definição provisória com a de outro.

Definição e problemas de método


A noção de estrutura social não se refere à realidade empírica, mas aos modelos construídos em conformidade com esta. Muitas vezes esta noção foi confundida com a noção de relações sociais. Estas últimas são as matérias prima empregada para a construção do modelo que tornará manifesta a estrutura social.

Para merecer o nome de estrutura, os modelos devem satisfazer a quatro condições.
1°) Ter caráter de sistema, a modificação em um deles deve modificarnos demais;
2°) Todo o modelo pertence a um grupo de transformações e o conjunto destas constituem um grupo de modelos;
3°) As propriedades anteriores permitem prever o modo como o modelo reagirá;
4°) O modelo deve ser construído de modo que seu funcionamento possa explicar todos os fatos observados.
a)       Observação e experimentação

Estes dois níveis devem ser sempre distintos. Experimentação dos modelos é o conjunto de processos que permitem saber como um modelo reage às modificações, fazer comparações entre modelos do mesmo tipo ou tipos diferentes. Na observação, todos os fatos devem ser observados e descritos sem permitir que nada altere sua natureza. Eles devem ser observados em si mesmo e em relação ao conjunto.

“...Do ponto de vista que é o nosso, permitem [as regras descritas no parágrafo a cima] compreender que não há contradição, mas intima correlação, entre o cuidado do detalhe concreto próprio da descrição etnográfica e a validade e a generalidade que reivindicamos para o modelo construído a partir dela” (p. 317)
b)       Consciência e inconsciente
Os modelos podem ser conscientes ou inconscientes. Segundo Boas prestam-se mais a analise estrutural os fenômenos que a sociedade não dispõe de um modelo consciente para interpretá-lo. Os modelos conscientes (normas) são os mais pobres, pois sua função é perpetuar as crenças e usos, mais que expor as causas.
Assim, o etnólogo pode Ter de construir um modelo para explicar fenômenos que não foram tratados pela sociedade que estuda, ou então, terá que trabalhar com modelos já construídos pela cultura considerada. Os modelos do segundo caso não são uma estrutura, mas um bom caminho para que o etnólogo chegue até ela. A tendenciosidade ou erros que eles possam conter é parte integrante do que se deve estudar.
c)       Estrutura e medida
Apesar de em alguns caso ser possível se estabelecer valores numéricos para algumas constantes, não há uma conexão necessária entre medida e estrutura.
d)       Modelos mecânicos e modelos estatísticos
Os modelos mecânicos são aqueles em que os elementos estão na escala de fenômenos. Nas leis de casamento das sociedades primitivas correspondem a modelos onde figuram os indivíduos efetivamente distribuídos em classe ou clãs. Já os modelos estatísticos são aqueles em que os elementos estão em uma escala diferente, exemplo os casamentos em nossa sociedade. Estes dependem de fatores mais gerais que vão desde o tamanho do grupo até fluidez social e quantidade de informação. Para se definir um modelo neste caso é preciso determinar constantes, médias e limiares. Há caso em que coexistem os dois tipos de modelo.
Tendo em vista que um mesmo gênero pode se prestar ao um estudo sob este dois pontos de vista, ou pela construção de um modelo mecânico ou por um modelo estatístico, torna-se necessário fazer um recorte do fenômeno para que ele possa ser usado na visão escolhida. Assim, a tarefa do Estruturalista consiste em:

“identificar e isolar os níveis de realidade que têm um valor estratégico do ponto de vista em que ele se coloca, ou, em outras palavras, que podem ser representados sob forma de modelos, qualquer que seja a natureza destes últimos” (p. 321)

Como as pesquisas estruturais têm a pretensão de construir modelos que sejam redutíveis as propriedades de outros modelos, que por sua vez dependem de níveis estratégicos diferentes (entendo que eles esteja falando das disciplinas ou diferentes áreas do conhecimento) espera-se derrubar as barreiras entre as disciplinas e instituir entre elas uma verdadeira colaboração. Um exemplo é a relação entre a história e a etnologia. A noção de tempo não é o centro do debate.
A etnografia e a história diferem da etnologia e da sociologia. As duas primeiras fazem a coleta de dados e organizam documentos, as outras estudam os modelos construídos a partir do material coletado pelas primeiras. A etnografia e a etnologia correspondem a duas etapas de uma mesma pesquisa que termina em modelos mecânicos, enquanto a história e disciplinas que são suas “auxiliares” terminam em modelos estatísticos.
As ciências sociais distinguem-se pelo emprego de duas categorias de tempo: o tempo mecânico, que é reversível e não-cumulativo, utilizado pela etnologia e o tempo estatístico utilizado pela história não é reversível e comporta uma orientação determinada ou a idéia de uma evolução.
Firth faz a distinção de que para a noção de estrutura social o tempo não desempenha nenhum papel, mas para o de organização social ele intervém. Boas e sua escola se ocuparam de modelos mecânicos e portanto fizeram bem em recusar a noção de evolução. Esta noção adquire sentido no terreno da história e da sociologia desde que seus elementos não sejam formulados em termos de uma tipologia culturalista
Sem o reconhecimento do dilema de Goldstein: estudar casos numerosos superficialmente ou limitar-se a análise profunda de um número limitado de casos, a analise estrutural seria vã. Atribui-se a esse autor a formulação do que se poderia chamar de ‘as regras do método estruturalista’, colocar as conclusões de um ponto de vista bem geral para que possam ser válidas além do domínio limitado onde foram produzidas. Grosso modo, seria partir da analise do específico para o geral ou universal.

Morfologia social ou estrutura de grupo
O termo grupo, nesta seção, designa a maneira como os fenômenos se agrupam entre si. Resulta do estudo das relações sociais.com a ajuda dos modelos. Espaço e tempo são dois sistemas de referência para pensar as relações sociais. Estas dimensões são concebidas de formas diferentes para cada sociedade humana. E ambos, a partir de suas manifestações objetivas, têm importância no estudo dos fenômenos sociais; as considerações históricas e geográficas não são descartadas analise estrutural.
Aproximamo-nos das questões matemáticas abordando aos estudos demográficos. Duas linhas de pesquisa oferecem interesse para o etnólogo. A primeira liga-se a sociologia urbana rank-sire que permite, para um conjunto determinado, estabelecer uma correlação entre o tamanho absoluto das cidades e a posição de cada uma num conjunto ordenado. A Segunda é composta de trabalhos de certos demógrafos franceses que consideram que as dimensões absolutas de um isolado podem ser calculadas segundo freqüência de casamento. Além disso, é necessário levar em consideração o comprimento dos ciclos matrimoniais, e fazer levantamento genealógico ou seja o demógrafo.
Outro problema é o alcance da validade de cultura. Tal como o isolado em demografia ela é fundamental em etnologia. Está se denominando por cultura todo um conjunto etnográfico que apresenta com relação a outras diferenças significativas. Sendo as constantes ligadas a tais afastamentos, essa noção pode corresponder a uma realidade objetiva apesar de permanecer em função do tipo de pesquisa considerada. Assim uma coleção de indivíduo depende de vários sistemas de cultura: continental, nacional, provincial, local, etc.
Estatística social, ou estrutura de comunicação
A sociedade é feita de indivíduos que se comunicam entre si. Não há uma ausência de comunicação absoluta. Próximo às fronteiras a comunicação enfraquece. Toda a sociedade a comunicação acontece em três níveis: comunicação de mulheres, comunicação de bens e serviços e comunicação de mensagens e poderia acrescentar que as regras de parentesco e de casamento definem um quarto tipo de comunicação.
Dessa maneira de ver a comunicação depreende três ordem de considerações:
1°Melhor definição das relações entre ciência econômica e estudos de estrutura social. Através de fatos econômicos a teoria etnológica descobre algumas das melhores regularidades e é nela que se encontra pela primeira vez modelos mecânicos do tipo utilizado pela etnologia e pela lógica;
2° A associação da antropologia social, ciência econômica e da lingüística para formar uma ciência da comunicação consistirá, sobretudo em regras. As quais são independentes da natureza dos parceiros cujo jogo eles comandam;
3° Chegasse-se, assim, a possibilidade de se introduzir nos estudos de parentescos e casamentos as concepções derivadas da teoria da comunicação. A Informação de um sistema de casamento é função do número de alternativas de que dispõe o observador para definir o status matrimonial de um indivíduo qualquer, com relação a um pretendente determinado.
Abre-se, a partir disso, a possibilidade de conversão dos modelos estatísticos em modelos mecânicos e inversamente. Ou seja, acaba-se com a distância que se colocava entre a etnologia e a demografia.
O esforço do que foi dito até aqui é no intuito de avaliar a contribuição de pesquisas matemáticas à etnologia, cujo beneficio consiste na oferta de um conceito unificador – a noção de comunicação - que concilia em uma única disciplina pesquisas muito diferentes.
Abordo, agora, o problema de se a antropologia social está habilitada para utilizar estes instrumentos. A antropologia social tem se dedicado ao estudo do parentesco reconhecendo sua importância para o desenvolvimento desta ciência. Os fatos que dizem respeito “...ao parentesco e a o casamento manifestam, no mais alto grau, estes caracteres duráveis, sistemáticos e contínuos até na mudança, que dão ocasião à analise ” (p. 341). No entanto, o estudo do parentesco enfrenta o problema de que os dados disponíveis são pouco aprofundados e referem-se aos mais diferentes povos.
Ao se falar em parentesco o primeiro nome que se evoca é o de Radcliffe Brown. Ele tenta, partindo dos sistemas de parentescos formular concepções metodológicas que pudessem ser usadas por todo o etnólogo. Para o autor, este estudo deve ter os seguintes objetivos: busca por classificações sistemáticas, compreender traços de cada cultura e conseguir generalizações validas.
O conceito de estrutura de Radcliffe Brown aparece como intermediário entre a antropologia social e a biologia. Persistena convicção de que os laços biológicos são a origem e o modelo de todos os tipos de famílias. A noção defendida no trabalho por nós elaborado difere dele porque se pretende fazer uso da noção de estrutura para elevar os estudos de parentesco até a teoria de comunicação.
Da forma como Radcliffe-Brown entende a estrutura decorrem duas conseqüências: repugnância em distinguir claramente estrutura social e relações sociais;  associação de estrutura social e relação social a forma mais simples de relação, a que se dá entre duas pessoas. Essas relações diádicas se dariam em um numero indeterminado de repetições e que formariam uma cadeia que se estende indefinidademente pela adjunção de novas relações. Observador, analista e classificador incomparável, ele decepciona quando quer ser teórico. Radcliffe-Brown tende a confundir observação e experimentação
Murdock: sua contribuição para os estudos estruturais consiste na tentativa de rejuvenescer o método estatístico. Ele está prevenido com relação aos perigos que o método carrega: a validade da correlação depende da validade da divisão que se recorreu para se definir os fenômenos postos em correlação. Também, se empenhou em reconstruir a evolução histórica dos sistemas de parentesco. No entanto, ele não raciocina sobre sociedades reais, mas sobre abstrações. Isola a organização social de outros aspectos da cultura e os sistemas de parentesco da organização social. Depois, divide arbitrariamente a organização social em pedaços e fatias segundo princípios inspirados pelas categorias tradicionais da teoria etnológica. Sua construção histórica permanece ideológica. Murdock não distinguem suficientemente os modelos estatísticos dos modelos mecânicos.
A obra de Lowie consiste em um esforço para definir quais são os fatos. Ele, desde 1915, justificava os estudos de parentesco dizendo que a substância da vida social pode ser analisada de modo rigoroso em função da classificação de parentes e afins; derrubou a perspectiva estritamente histórica e definia a exogamia como um esquema institucional engendrando os mesmos efeitos em todo lugar em que está presente. Dentre tantas outras contribuições aos estudos do parentesco, cabe destacar sobre Lowie que sempre se preocupou em encarar as organizações sociais de um  duplo ponto de vista: regras institucionais de um lado e expressões medias de reações psicológicas individuais, de outro. Essas últimas sujeitas a contradizer as regras e as modificar.
Dinâmica social: estrutura de subordinação
Ordem dos elementos (indivíduos e grupos )na estrutura social
 para o autor dessas linhas o sistema de parentesco e as regras de casamento e filiação formam um conjunto coordenado cuja a função é assegurar a permanência do grupo social, entrecruzando, à maneira de um tecido, as relações consangüíneas e as fundadas na aliança” (p. 351).
O funcionamento da maquina que extrai mulheres de suas famílias consangüíneas para redistribuí-las em outros grupos constituindo outras famílias, na ausência de influência externa, conservaria um caráter estático. Como explicar as transformações diacrônicas da estrutura e ao mesmo tempo as razões de porque a estrutura social não se reduz a um sistema de parentesco.
1º) Deve-se perguntar quais são os fatos. Lowie precisou algumas categorias, entre elas, classes sociais, associações, Estado;
2º) Correlacionar fenômenos que dependem de nível já isolado (parentesco), e os do nível imediatamente superior. Daí decorre dois problemas: as estruturas de subordinação podem manifestar propriedades dinâmicas; e, de que maneira as estruturas de comunicação e de dominação reagem umas as outras. O primeiro é o da educação: em cada momento uma geração encontra-se em subordinação ou dominação com a que a precede. Existe também a correlação entre a estrutura de parentesco estática (terminologia) e as condutas (mais dinâmicas). Para Radcliffe-Brown cada terminologia corresponde a uma conduta diferenciada. Proponho (Levi-Strauss) uma relação dialética entre terminologia e atitude, isso resultaria em que as regras de conduta entre parentes seriam a tentativa de resolver contradições provenientes do sistema terminológico e das regras de aliança. O segundo problema diz respeito a sistemas de parentesco não regulado por aliança entre iguais. Diversas situações têm de ser analisadas, contudo tal problema é ainda bastante negligenciado.
3º) O terceiro método consistiria em um estudo de todos os tipos de estruturas concebíveis, resultante de relações de dependência e de dominação aparecidas ao acaso. A  estruturas sociais seriam transitivas e não cíclicas. O estudo de parentesco mostra a possibilidade de transformação de uma ordem transitiva e não cíclica em outra intransitiva e cíclica.
Ordem das ordens
A sociedade corresponde a diversos tipos de ordens. O sistema de parentesco oferece um meio de ordenar, a organização social outro, as estratificações sociais um terceiro. Tentativas de formular modelos gerais que abranjam todos os demais levam o etnólogo ao problema de saber até que ponto o modo de conceber uma sociedade, suas diversa estrutura de ordem e as relações que as unem correspondem à realidade. Até agora só se conseguiu abordar ordens “vividas”, ou seja, ordens possíveis de abordar do exterior.
Em forma de conclusão poderíamos dizer que a antropologia social é uma ciência muito jovem e é natural que procure construir modelos imitando os mais simples que lhe apresenta as ciências mais avançadas. Na busca desses modelos o antropólogo se encontra em uma posição intermediaria entre escolher os modelos mecânicos ou os estatísticos. “...estamos num terreno hibrido e equivoco; nossos fatos são muito mais complicados para serem abordados de uma maneira, e não o suficiente para que se possa aborda-los de outra” (p. 359).

O estado das pesquisas estruturais é o seguinte: teve-se êxito em isolar os fenômenos. Os fatos antropológicos estão suficientemente próximos aos outros fenômenos para que se possa oferecer um tratamento análogo ao dado a esses últimos. Por outro lado, nossos dados são muito variáveis e de pouca intensidade o que dificulta um conhecimento mais profundo e dedicado. Comportamos-nos como botânicos colhendo ao acaso as mais variadas amostras.

sábado, 14 de maio de 2011

Resenha do texto de Denys Cuche


Hierarquias Sociais e Hierarquias Culturais - Capítulo 5


                                                                           
DEFINIÇÃO DE CULTURA

·         Cultura não é uma herança que se transmite imutável de geração em geração, é uma produção e construção histórica das relações dos grupos sociais entre si.
·         Para analisar um sistema cultural é necessário analisar o contexto sócio-histórico.
·         Nascem de relações sociais que são sempre desiguais, resultando nas hierarquias sociais.
·         Todas as culturas merecem a mesma atenção, mas isso não significa que todas elas são reconhecidas como de mesmo valor.
·         Daí a necessidade de fazer uma análise “polemológica” das culturas: elas se desenvolveram na tensão e, muitas vezes, na violência.
·         Nas disputas culturais não é a lei dos mais fortes que está em jogo; por isso, é necessário evitar as interpretações de que o mais forte está sempre em condições de impor sua ordem cultural ao mais fraco.

CULTURA DOMINANTE E CULTURA DOMINADA

·         Para Marx e Weber, a cultura da classe dominante é sempre a cultura dominante; ao dizer isso eles não pretendem afirmar que a cultura dominante seja superior e que esta dominasse ‘’naturalmente’’ as outras culturas.
·         Na realidade, o que existe são grupos sociais que estão em relação de dominação ou de subordinação uns com os outros.
·         Sendo assim, uma cultura dominada não é necessariamente uma cultura alienada e totalmente dependente. O que acontece, é que ela não pode desconsiderar a cultura dominante ao longo de sua evolução – sendo a recíproca verdadeira, ainda que em menor grau.
·          Uma cultura dominante não pode se impor a uma cultura dominada como um grupo pode fazê-lo em relação a um grupo mais fraco.

AS CULTURAS POPULARES

Do ponto de vista das ciências sociais, duas teses unilaterais devem ser evitadas:
·         MINIMALISTA: defende que a única e “verdadeira cultura” seria a cultura das elites sociais, e as culturas populares seriam apenas seus subprodutos inacabados.
·         MAXIMALISTA: defende que as culturas populares seriam culturas autênticas, completamente autônomas e até mesmo superiores à cultura de elite.

Contudo, a realidade é bem mais complexa do que é apresentado por estas duas teorias extremas. Nem inteiramente autônomas, nem pura imitação, nem pura criatividade: Toda cultura particular é uma reunião de elementos originais e de elementos importados, de invenções próprias e de empréstimos.
·         Se uma cultura popular é obrigada a funcionar como cultura dominada, isto não impede que ela seja uma cultura inteira; baseada em valores e práticas originais que dão sentido à sua existência.

A METÁFORA DA BRICOLAGEM

·         É definida por Lèvi-Strauss (1962) como colagem, construção, conserto, arranjo feito com materiais diversos.
·         Foi usada para caracterizar o modo de criatividade próprio das culturas populares e das culturas imigradas, assim como dos novos cultos sincréticos do 3º mundo ou das sociedades ocidentais.
·         No caso das culturas negras na América a bricolagem permitiu preencher as lacunas da memória coletiva profundamente perturbada pela escravidão e pela transferência de local.
·         A bricolagem também pode ser feita de tédio, de trabalho forçado e do prazer da iniciativa, da obrigação e da liberdade.

A NOÇÃO DE CULTURA DE MASSA

O desenvolvimento dos meios de comunicação de massa acompanha a introdução cada vez mais determinante dos critérios de rendimento e de rentabilidade em tudo o que se refere à produção cultural.
·         Muitos autores dedicam suas análises à questão do consumo da cultura produzida pelas mass media. Dentre essas análises, conclui-se que há uma certa forma de nivelamento cultural entre os grupos sociais.
·         Dessa maneira, supõe-se que as mídias provoquem uma alienação cultural, uma aniquilação de qualquer capacidade criativa do indivíduo, que, dessa forma, não teria meios de escapar à influência da mensagem transmitida.
·         Contudo, não é porque certa massa de indivíduos recebe a mesma mensagem que esta massa constitui um conjunto homogêneo. Há uma certa uniformização da mensagem midiática, mas isto não nos permite deduzir que haja uniformização da recepção da mensagem.
·         Por mais “padronizado” que seja o produto de uma emissão, sua recepção não pode ser uniforme e depende muito das particularidades culturais de cada grupo – bem como da situação que cada grupo vive no momento da recepção.

AS CULTURAS DE CLASSE

·         A evidência da relativa autonomia das culturas das classes subalternas, levaram os pesquisadores a reconsiderar positivamente o conceito de cultura baseando-se em pesquisas empíricas e não mais em deduções filosóficas.
·         Os sistemas de valores, os modelos de comportamento e os princípios de educação variam sensivelmente de uma classe a outra.
·         No campo da alimentação, os hábitos ligados às tradições dos diferentes meios sociais são bastante estáveis, as práticas alimentares estão profundamente ligadas aos gostos que variam de classe para classe, com base a imagens inconscientes, a aprendizados e a lembranças de infância.

MAX WEBER E O APARECIMENTO DA CLASSE DOS EMPRESÁRIOS CAPITALISTAS

·         Max Weber (1864 – 1920) tenta demonstrar em sua obra “A ética e o espírito do capitalismo” que os comportamentos econômicos da classe dos empresários capitalistas são compreensíveis somente se levarmos em consideração a sua concepção de mundo e seu sistema de valores.
·         Mais do que a grande burguesia tradicional, a classe que vai desempenhar um papel decisivo no progresso do capitalismo moderno, é a média burguesia, classe em plena ascensão no começo da era industrial.
·         O que caracteriza esta classe média, segundo os próprios termos de Max Weber, é um “estilo de vida”, um “modo de vida”, novo ethos (novos costumes).
·         O ethos capitalista implica em uma ética da consciência profissional e uma valorização do trabalho como atividade que tem um fim em si mesma. O trabalho dá sentido à vida.
·         Max diz que os empresários que introduziram uma nova forma de comportamento são os protestantes puritanos que transformam o ascetismo religioso em um ascetismo secular.
·         Ele se opunha à tese do “materialismo histórico” que ele considerava “simplista”. Segundo esta tese, as idéias, os valores e as representações seriam apenas o reflexo ou a superestrutura, de situações econômicas dadas.

A CULTURA OPERÁRIA
·         As necessidades que orientam as práticas culturais dos indivíduos são determinadas pelas relações de produção. Estabelecem um vinculo entre a natureza do trabalho operária e as formas do consumo operário.
·         O sentimento freqüente de vinculação a uma comunidade de vida e de destino provoca uma bipartição fundamental do mundo social entre “eles” e “nós”. Esta bipartição se traduz por um grande conformismo cultural.
·         A “privatização” dos modos de vida operária se acentuou, com um forte recuo para o espaço familiar.
·         Segundo Jean-Pierre Terrail, as evoluções culturais que acompanham a entrada dos operários no que ele chama de “a era da abundância” são mais uma adaptação das antigas normal do que a adoção de novas normas tomadas do exterior.

A CULTURA BURGUESA

·         Ao contrário do mundo operário, a burguesia produz inúmeras representações de si mesma, representações literárias, cinematográficas, jornalísticas. Pretendendo conservar o domínio de sua própria representação, ela se defende cuidadosamente contra a curiosidade dos pesquisadores e de suas análises.
·         A burguesia enquanto indivíduo não se reconhecem como tal, recusam que os qualifiquem por este termo. A cultura burguesa é raramente uma cultura que as pessoas reivindicam e da qual se orgulham.
·         Beatrix Le Wita desenvolveu uma das primeiras abordagens etnográficas da cultura burguesa, ao fazer uma pesquisa principalmente sobre os colégios particulares católicos Sainte Marie de Paris e de Neuilly, e sobre as mulheres saídas destas instituições. Ela toma três elementos fundamentais para analisar a cultura burguesa: a atenção dada aos detalhes, em particular as vestimentas, o controle de si mesmas e a ritualização da vida cotidiana.

BOURDIEU E A NOÇÃO DE “HABITUS”

·         Pierre Bourdieu usa raramente o conceito antropológico de cultura, em seus textos o termo “cultura” é usado geralmente em sentidos mais restritos e mais clássicos ligados a “obras culturais”, aos produtos simbólicos socialmente valorizados ligados ao domínio das artes e das letras.
·         Para suas análises, as práticas culturais estão estreitamente ligadas à estratificação social.
·         Ele não foi propriamente o criador do termo “habitus”. O sentido da prática explica mais detalhadamente a concepção de “habitus”: “são sistemas de disposições duráveis e transponíveis. O hábitus é o que caracteriza uma classe ou um grupo social em relação aos outros que não partilham das mesmas condições sociais.
·         Bourdieu afirma que o “habitus funciona como a materialização da memória coletiva que reproduz para os sucessores as aquisições dos precursores”. Ele explica porque os membros de uma mesma classe agem freqüentemente de maneira semelhante sem ter necessidade de entrar em acordo para isso.
·         O habitus é também incorporação da memória coletiva, em seu sentido próprio. As disposições duráveis que caracterizam o habitus são também disposições corporais que constituem a “hexis corporal”.
·         A Pela hexis corporal as características sociais são de certa forma “naturalizadas”: o que parece e o que é vivido como “natural” depende, na realidade de um habitus.

Por Alessandra Cichoski e Danilo Teles

Resenha do Texto do Prof Ruben Oliven

Novas fronteiras da cultura

Até pouco tempo a cultura era associada a grupos que ocupavam um espaço, a preocupação em marcar território era fundamental, e tudo o que vinha de fora era visto como impuro ou perigoso. Essa era a idéia de que cada povo tinha a sua cultura, sua língua, seus costumes, tendo seu território delimitado.
Como as pessoas viajam, a sua cultura, seu costume, sua idéia, sua língua também viajam, muitas vezes viajam através de livros, filmes, televisão e internet. Assim há uma espécie de “troca” de cultura, a gente se adapta a novos costumes, da mesma maneira as outras pessoas adaptam-se aos nossos costumes e a nossa maneira de viver. Assim acontece o processo de desterritorialização em que uma cultura originada em um determinado lugar migra para outro, e reterritorialização quando essa cultura se adapta e se integra em um novo lugar.
A culinária é uma das áreas da cultura que foi transportada de um país para outro pelos imigrantes. Como a pizza e as massas da Itália e o feijão comida utilizada pelos escravos.
No Brasil, há uma grande variedade de culturas, originadas de manifestações culturais que tiveram suas origens restritas a um grupo social.
As idéias também viajam, como o espiritismo kardecista, que surgiu na França mas se tornou mas influente e difundido no Brasil.
O positivismo também, que surgiu na França, mas foi muito mais importante no Brasil, e foi uma das forças ligadas a Proclamação da Republica, e deixou sua marca na nossa bandeira com o lema “Ordem e Progresso”.
A religião também foi transportada pelos imigrantes, como as religiões africanas, o Batuque,Candomblé, Xangô, Macumba, e depois o surgimento da religião Umbanda no século XX, combinando elementos africanos, kardecistas e católicos.
A música, como  o rock que tem sua origem no Estados Unidos mas é difundida nos outros países, o jeans que surge na Califórnia como roupa para garimpeiros, e hoje o mundo inteiro usa. Os difundidos mais recentemente como os shopinng centers e fast-food.
A cultura está cada vez mais mundializada, o que antes era delimitado, agora seguem a globalização e não respeitam mais as fronteiras nacionais ou regionais.
Durante a fase populista, o que vinha de fora era visto como impuro e perigoso, assim a coca-cola e o cinema de Hollywood eram muitas vezes satanizados como exemplos de imperialismo cultural norte-americano, de maneira que o samba e o cinema novo era exemplos do que havia de mais autenticamente nacional.
As novas fronteiras da cultura em vez de fazer o sentido nacionalidade diminuir, o faz crescer, pois a criação de manifestações culturais mundializadas não significa que as questões locais estão desaparecendo. Ao contrário, a globalização torna o local mais importante do que nunca.
A consolidação da União Européia que ocorreu na virada do século XX, não significa , o desaparecimento da diversidade cultural, cada país continuará falando diferentes línguas, e se manterá a riqueza cultural de cada país, esses países apenas tiveram a integração de seus exércitos, a criação do euro, e a abolição de fronteiras econômicas  e de mercado de trabalho.
Mas isso não significa que os conflitos étnicos e regionais tenham desaparecido.
Nos EUA o modo de vida norte-americano está hoje num momento em que os diferentes grupos étnicos reivindicam sua especificidade, esse processo faz com que não exista mais ninguém que seja apenas norte-americano, além dos descendentes dos primeiros anglo-saxões.a construção de novas identidades sociais dentro da identidade nacional significa a afirmação das diferenças em relação aos outros grupos e a não-aceitação de uma modo único de ser norte-americano.
Essas situações contraditórias pelas quais alguns países vêm passando, são resultados de uma série de processos que o mundo vem vivenciando. Nos últimos duzentos anos presenciou-se a formação de estados nação baseados na idéia de uma comunidade de sentimentos e interesses que ocupam um território delimitado e cuja as fronteiras, precisam ser cuidadosamente preservadas, o conceito de estado-nação está sendo afetado, na medida em que a velocidade de informação e dos deslocamentos se intensifica e faz com que as mudanças se acelerem cada vez mais. Desde as viagens marítimas da Idade Moderna havia troca de mercadorias entre um continente e outro, atualmente,  estamos assistindo a globalização da economia.
Todos esse processos refletem no âmbito da cultura, com a velocidade da disseminação das mensagens estão se criando estilos de vida mundializados.  Se antigamente as culturas eram tendiam a ser associadas a um território e a identidades definidas, o que se verifica hoje é um cruzamento das fronteiras culturais e simbólicas.
Esse processo de mundialização da cultura, que dá a impressão de que vivemos numa aldeia global, repondo a questão da tradição, da nação e da região. A medida que o mundo se internacionaliza, s diferenças se recolocam e há intenso processo de construção de identidades. Se antigamente o mundo se mostrou contrário a manutenção da diversidade, hoje assistimos a afirmação das diferenças.
A medida que o mundo fica “menor” ( as diversidades, não são mais tão diferentes, estamos nos tornando todos iguais), é difícil nos identificarmos com categorias genéricas, somos todos cidadãos do mundo, mas precisamos de marcos de referencia que estejam mais próximos de nós.
O Brasil já se encontra bastante integrado do ponto de vista político, econômico e tecnológico que é necessário repensar a questão da diversidade cultural, a rede de comunicação de massa seria a responsável pela acentuação da uniformização dos hábitos e atitudes da população se perdendo a diversidade cultural. Assistindo a crescente integração, a afirmação dos diferentes tipos de identidade, como a identidade regional salienta suas diferenças do resto do Brasil.
O RS é um exemplo, onde o termo gaúcho através de um processo de elaboração cultural compreende todos os seus habitantes, incluindo descendentes de imigrantes.
Hoje para os gaúchos, só se chega ao nacional através do regional, ou seja, para sermos brasileiros precisamos ser gaúchos.

Guilherme Howes & Jenifer Lasch 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Prova de Teoria Social Clássica

QUESTÃO 01 – Na aula sobre os antecedentes intelectuais e históricos da Sociologia, o texto de Tania Quintaneiro Um toque de Clássicos dá conta de um contexto histórico de profunda ebulição da ciência européia moderna: “É esse movimento de idéias – que alcança seu ponto culminante com a Revolução Francesa e o novo quadro sociopolítico por ela configurado – que terá um impacto decisivo na formação da Sociologia e na definição de seu principal foco: o conflito entre o legado da tradição e as forças da modernidade.” Esse movimento de idéias a que o excerto do texto faz menção, é um evento histórico melhor denominado de:
Assinale a alternativa correta:
(a) Antigüidade
(b) Medievo
(c) Modernidade
(d) Ilustração
(e) Racionalismo

QUESTÃO 02 – As ciências sociais e, em particular, a Sociologia, apresentam uma multiplicidade de métodos, a partir das vertentes racionais da indução e dedução. Em linhas gerais, podemos afirmar que a produção teórica contemporânea – século XX e início do novo milênio – ainda não resultou em uma síntese metodológica. Convivem diferentes vertentes da explicação sociológica. Dos autores clássicos vertem métodos particulares, na ânsia de dar conta dos problemas da ciência em afirmação e da realidade social fugidia . Sobre os métodos mencionados no excerto de texto acima, relacione o autor ao seu método de análise sociológica:

(M) Marx
(D) Durkheim
(W) Weber

( )01 Posição de neutralidade e objetividade do pesquisador em relação à sociedade. Deve descrever a realidade social, sem deixar que suas opiniões interfiram na observação

( )02 As normas e regras sociais não são, necessariamente, exteriores aos indivíduos, elas são o resultado de um conjunto de ações individuais, e os agentes escolhem o tempo todo, diferentes formas de conduta. Ainda enfatiza o papel ativo do pesquisador em face da sociedade.

( )03 As condições materiais de toda a sociedade condicionam as demais relações sociais. O autor enfatiza que o pesquisador não deve se restringir à descrição da realidade social, mas deve também analisar como essa realidade se produz e se reproduz ao longo da história.

Marque a alternativa que apresenta a seqüência correta

(a)    (b)    (c)    (d)    (e)

D      W      M      D    W

W      D      D      M    M

M      M     W      W    D

QUESTÃO 03 – A sociologia é o estudo da vida social humana, dos grupos e das sociedades. É um empreendimento fascinante e irresistível, já que seu objeto de estudo é nosso próprio comportamento como seres sociais. A abrangência do estudo sociológico é extremamente vasta, incluindo desde a análise de encontros ocasionais entre indivíduos na rua até a investigação de processos sociais globais. (p. 24) A partir do texto de Giddens, O que é sociologia? assinale a alternativa que apresenta afirmações falsas:

(a) A sociologia pode ser identificada como o estudo sistemático das sociedades humanas, dando ênfase especial a sistemas modernos e industrializados.
(b) A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.
(c) A sociologia surgiu como uma tentativa de entender as mudanças abrangentes que ocorreram nas sociedades humanas no decorrer dos dois ou três últimos séculos. As mudanças envolvidas não são apenas as de larga escala; elas também envolvem mudanças nas mais íntimas e pessoais características das vidas das pessoas.
(d) A sociologia fornece, e por encetar a capacidade imaginativa, em termos práticos, auto-esclarecimento aos indivíduos e aos grupos, oportunizando condições mais favoráveis de alterar as circunstâncias de suas próprias vidas.
(e) A sociologia se caracteriza por apresentar um conjunto restrito de abordagens teóricas. Em sua essência, mantêm-se à margem das disputas teóricas já encontradas nas ciências naturais. O fato de nosso próprio comportamento ser o objeto de estudo da sociologia, faz com que esta ciência avance em objetividade e neutralidade.

QUESTÃO 04 – Sobre o texto A crise das explicações religiosas e o triunfo da ciência, de Cristina Costa, marque (V) para verdadeiro e (F) para falso, de acordo com o que é afirmado pela autora:

I. As idéias de progresso, racionalismo e cientificismo exerceram todo um encanto sobre a mentalidade da época – a vida parecia submeter-se aos ditames do homem esclarecido. Preparava-se o caminho para o amplo progresso científico que aflorou no final do século XIX.

II. A Igreja foi questionada como fonte de poder secular, político e econômico, na medida em que se imiscuía em questões civis e de Estado. Tal questionamento levou à descrença na doutrina e na infalibilidade eclesiásticas, bem como ao repúdio da secular atuação do clero.

III. Defendida por uns, repudiada por outros, a Igreja perdia o importante papel de explicar o mundo aos homens, passando, ao contrário, a ser explicada por eles. A religião passa por um processo de dessacralização, sendo encarada com mais um dos aspectos da cultura humana. Esse olhar laico e especulativo sobre as doutrinas religiosas, impulsionaram o desenvolvimento das ciências humanas, em particular das ciências sociais.

IV. A sociologia se desenvolveu no século XIX, quando a racionalidade das ciências naturais e de seu método haviam obtido o reconhecimento necessário para substituir a religião na explicação da origem, desenvolvimento e finalidade do mundo.

Marque a alternativa que apresenta a sentença correta:

(a) Há uma afirmação falsa.
(b) Há, pelo menos, duas afirmações falsas.
(c) Há mais de duas afirmações verdadeiras.
(d) Há, no máximo, uma afirmação verdadeira.
(e) Há, no máximo, duas afirmações verdadeiras.

QUESTÃO 05 – Cristina Costa, no texto A emergência do Pensamento Social em bases científicas, descreve como a formação do pensamento social laico dependeu da confluência de condições históricas que exigissem a análise da vida social em sua especificidade e concretude. Dependeu também do amadurecimento do pensamento científico e do interesse pela vida material do homem. O pensamento social emergente desse contexto protagonizou as primeiras formulações sociológicas, que foram a base para a posterior sedimentação da teoria social moderna, de Durkheim, Marx e Weber. Sobre essas primeiras formulações, é incorreto afirmar que:

(a) O darwinismo social era uma corrente de idéias que fundamentava o argumento até então irrefutável e inquestionável de que o mais alto grau de civilização a que um povo poderia chegar seria já alcançado pelos europeus – a sociedade capitalista industrial do século XIX.

(b) A transposição de conceitos físicos e biológicos (das ciências naturais em geral) para o estudo das sociedades e do comportamento humano proporcionaram avanços até hoje irrepreensíveis às interpretações sociais. Isso trouxe garantias de cientificismo às ações guiadas, até então, por preconceitos e interesses particulares.

(c) O evolucionismo é uma corrente teórica que coloca todos os povos em uma linha unívoca, linear e diacrônica de desenvolvimento cognitivo. Ignora as especificidades históricas e culturais dos homens, estabelecendo leis de evolução em que as diversas sociedade humanas são tratadas como espécies.

(d) A concepção evolucionista da história concebia um grande movimento geral da humanidade. Essa dinâmica descrevia que todos partiriam de uma origem comum a um fim necessário e semelhante. Daí se entender os diferentes momentos da história de cada sociedade como expressão de diversas etapas de uma grande epopéia de toda a humanidade.

(e) A rápida evolução dos conhecimentos das ciências naturais (física, química, biologia) e o visível sucesso de suas descobertas no incremento da produção material e no controle das forças da natureza atraíram os primeiros cientistas sociais para o seu método de investigação.

QUESTÃO 06 – A Sociologia é uma ciência profundamente envolvida com a sociedade moderna. A investigação sociológica constitui um dos meios pelo qual a modernidade tomou consciência de si mesma. Por essa razão, a Sociologia pode ser considerada como uma ciência social cujo objeto de estudo é a sociedade moderna. Na tentativa de apresentar algumas explicações para a emergente modernidade, e a efervescente conjuntura social, política e cultural por que passava a sociedade européia, Marx, Durkheim e Weber compuseram obras clássicas. Relacione cada autor às suas obras:

(M) Marx
(D) Durkheim
(W) Weber

( )01 Escrito como uma série de ensaios entre 1904 e 1905, foram, mais tarde, complementados pelo autor e publicados em um livro, no qual ele investiga as razões do capitalismo se haver desenvolvido inicialmente em países como a Inglaterra ou a Alemanha, concluindo que isso se deve à mundividência e hábitos de vida instigados ali pelo protestantismo. Neste livro, o autor avança a tese de que a ética e as ideias puritanas, a ética calvinista (ascética), influenciaram o desenvolvimento do capitalismo nos EUA.

( )02 Nesse texto de 1893 o autor analisa as funções sociais do trabalho na sociedade e procura mostrar como na modernidade tal divisão é a principal fonte de coesão ou solidariedade social.

( )03 Conjunto de livros reunidos em um volume de 1867, apontando e criticando o desenvolvimento do capitalismo de épocas anteriores até a modernidade. Nesta obra existem muitos conceitos econômicos complexos, como mais valia, capital constante e capital variável, uma análise sobre o salário; sobre a acumulação primitiva, resumindo, sobre todos os aspectos do modo de produção capitalista, incluindo uma crítica exemplar sobre a teoria do valor-trabalho de Adam Smith e de outros assuntos dos economistas clássicos.

( )04 Texto originado de uma conferência realizada pelo autor em novembro de 1917 em que comparou a situação da universidade alemã com a realidade dos Estados Unidos e advertiu seus ouvintes de que no futuro haveria um processo de americanização da vida universitária, que seria cada vez mais parecida com empresas estatais: cientistas, professores e acadêmicos, cujas chances de promoção profissional, ainda seriam bastante determinadas pelo papel do acaso e da contingência, sempre pressioandos a conciliar a difícil vocação para a pesquisa e para o ensino. Conclui que a vocação para a ciência também exige paixão (dedicação à causa) e, além disso, inspiração para fazer uma obra relevante.

( )05 Texto publicado em 1848, sugere um curso de ação para uma revolução socialista através da tomada do poder pelos proletários. Faz uma análise histórica, distinguindo as várias formas de opressão social durante os séculos e situa a burguesia moderna como nova classe opressora. Não deixa, porém, de citar seu grande papel revolucionário, tendo destruído o poder monárquico e religioso valorizando a liberdade econômica extremamente competitiva e um aspecto monetário frio em detrimento das relações pessoais e sociais, assim tratando o operário como uma simples peça de trabalho.

( )06 Obra de 1895 em que o autor apresenta o projeto próprio de estabelecer a sociologia como uma nova ciência social. Assim sugere duas teses principais, sem as quais a sociologia não poderia ser uma ciência: Precisa ter um objeto específico de estudo. Diferentemente da filosofia ou da psicologia, o objeto próprio da sociologia é o fato social. Precisa respeitar e aplicar um reconhecimento objetivo, um método científico, trazendo-a para perto, dentro do possível, das outras ciências exatas. Este método pode evitar a todo custo preconceitos e julgamentos subjetivos.

( )07 Obra manuscrita em 1846 e só publicada posteriormente em que o autor faz críticas ao que denomina de jovens filósofos hegelianos, que considera produtores de uma ideologia alemã conservadora, apesar de se auto-denominarem teóricos revolucionários. O autor aponta para o fato de que, para estes filósofos, as transformações da sociedade se originam somente no plano do pensamento e nunca alcançam a realidade concreta. Isto porque cada um deles, criticando a teoria hegeliana, adota um aspecto desta, sem romper com a falsa noção, segundo o autor, de que é o espírito humano, e não a atividade humana, o sujeito da história.

( )08 Esse texto de 1897 foi um estudo de caso que trouxe um exemplo de como uma monografia sociológica deveria ser escrita. Estudou as conexões entre os indivíduos e a sociedade. Ele acreditava que se pudesse demonstrar o quanto um ato individual é o resultado do meio social que o cerca. Com isso teria uma prova concreta da utilidade da sociologia. Neste livro, o autor desenvolve o conceito de anomia. Ele explora as diferentes taxas de suicídio entre protestantes e católicos, explicando que o forte controle social entre os católicos resulta em menores índices de suicídio.

( )09 Texto publicado em 1904, em que o autor apresenta minuciosamente os principais temas sobre sua concepção de metodologia da ciência social e das relações entre conhecimento e prática científicas. Aponta que na investigação de um tema, um cientista é inspirado por seus próprios valores e ideais, que tem um caráter sagrado para ele, nos quais deposita sua fé e pelos quais está disposto a lutar. Em outras palavras, é preciso distinguir entre julgamentos de valor e o saber empírico. Este nasce da necessidade e considerações práticas historicamente colocadas, na forma de problemas, ao cientista cujo propósito deve ser o de procurar selecionar e sugerir a adoção de medidas que tenham a finalidade de solucioná-los. Já os julgamentos de valor dizem respeito à definição dos significados que se dá aos objetos ou aos problemas. O saber empírico tem como objetivo procurar respostas através do uso dos intrumentos mais adequados (meios, métodos). A ação do cientista é seletiva. A objetividade do conhecimento decorre, em boa medida, da incorporação consciente dos valores e do controle rigoroso dos procedimentos de análise.

Marque a alternativa que contém a seqüência correta:

1    (a) W    (b) W    (c) D    (d) W    (e) W

2          D          D          M         M          W

3          M         M          W         D           D

4          D         W           M        M          M

5          M         M           D         D          D

6          W         D           M        W         M

7          M         M          D         W         W

8          D         D          W          D         M

9          W        W         W          M          D

QUESTÃO 08 – No texto O que é Fato Social in As regras do Método Sociológico. Companhia Editora Nacional. São Paulo: 1978, Durkheim demonstra que o “social”, no sentido da coletividade, não é um somatório das individualidades, mas a sua síntese. Ao longo de breves onze páginas descreve as três características que possuem os Fatos Sociais. Segundo os excertos do texto, aponte a alternativa que apresenta essas três características do Fatos Sociais descritas pelo autor:

“(...) consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção em virtude do qual se lhe impõe.” (p. 03)

“(...) ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter.” (p. 11)

(a) Social, individual e coletivo
(b) Geral, particular e comum
(c) Público, privado e social
(d) Ação, reflexão e sentimento
(e) Coercitivo, exterior e geral

QUESTÃO 09 – Segundo a ótica marxista, que se pode ver cristalizada no Prefácio, Pg. 23 – 27. In. MARX, Karl. Contribuição à crítica de economia política. São Paulo: Martins Fontes. 1977, relacione o materialismo histórico com a existência humana. Assinale (V) para afirmação verdadeira e (F) para afirmação falsa.

I. São as condições materiais em que vive o ser humano, seu trabalho, suas relações concretas que determinam sua consciência.

II. É a consciência dos homens que determina sua existência concreta.

III. O ser social, as relações empíricas, advindas das relações cotidianas são determinadas pela consciência humana.

IV. Na produção social da existência humana os homens estabelecem relações que independem de sua vontade. Essas relações correspondem a um determinado grau de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais.

V. O desenvolvimento vida social, intelectual e política é condicionada pelo modo de produção da vida material.

Marque a alternativa correta:

(a) Há duas afirmativas falsas e três afirmativas verdadeiras
(b) Há três afirmativas falsas e duas afirmativas verdadeiras
(c) As afirmativas I, III e V são falsas
(d) As afirmativas II, III e V são falsas
(e) As afirmativas III, IV e V são verdadeiras

QUESTÃO 10 – Segundo Weber, no texto Os três tipos puros de dominação legítima. Pg. 128 – 141. In. COHN, Gabriel. Weber. Coleção Grandes Cientistas Sociais. Nº 13. Sociologia. Editora Ática. São Paulo: 1999, a dominação legítima pode justificar-se por três motivos de submissão ou princípios de autoridade, baseados em racionalidade, ancestralidade ou afetividade. Para Weber, as relações de mando e de obediência mais ou menos confirmadas no tempo, e que se encontram tipicamente nas relações de poder, tendem a se basear não só em fundamentos materiais ou no mero hábito de relações de obediência dos súditos, mas também e principalmente num específico fundamento de legitimidade.

Aponte a alternativa que apresenta estes três tipos puros de dominação legitima:

(a) Coação, persuasão e manipulação
(b) Racional, ancestral e afetiva
(c) Coercitivo, burocrático e legal
(d) Legal, tradicional e carismático
(e) Burocrático, carismático e autoritário