sábado, 14 de maio de 2011

Avaliação de Ciência Política - do XV ao XVIII


QUESTÃO 01 – No verbete sobre Ciência Política, no dicionário de política de Norberto Bobbio, p. 164, o autor afirma que a Ciência Política surge como disciplina e como instituição na metade do século XIX. Esta ciência está inserida, mais especificamente, no campo de conhecimento compreendido como Ciências Sociais. Sabendo-se que esse campo de conhecimento, conforme informado no primeiro dia de aula, compreende duas outras disciplinas, assinale a alternativa que apresenta as três áreas específicas das Ciências Sociais:

(a)  História, Economia e Ciência Política
(b) Ciência Política, Sociologia e Economia
(c)  Sociologia, Ciência Política e Antropologia
(d) Antropologia, Economia e Sociologia
(e)  Psicologia, Economia e Ciência Política

QUESTÃO 02 – De acordo com o dicionário de política de Norberto Bobbio, assinale a alternativa que melhor aponta a definição do verbete Governo:

(a)  O Governo é uma organização, que representa a autoridade governante de uma determinada unidade política. É o poder de regrar uma sociedade política e o aparato pelo qual o corpo governante funciona e exerce a autoridade. Governo não implica necessariamente a existência de Estado.
(b) O Governo é usualmente utilizado para designar a instância máxima de administração executiva, geralmente reconhecida como a liderança de um Estado ou de uma nação. Normalmente denomina-se Governo ou Gabinete, ao conjunto dos dirigentes executivos do Estado, ou ministros. Por isso, também chama-se Conselho de Ministros.
(c)  A forma ou regime de governo pode ser República ou Monarquia, e o sistema de governo pode ser Parlamentarismo, Presidencialismo, Constitucionalismo ou Absolutismo. Uma nação sem Governo é classificada como anárquica. Pode-se dizer que forma de governo é um conceito que se refere à maneira como se dá a instituição do poder na sociedade e como se dá a relação entre governantes e governados. Sistema de governo, por outro lado, não se confunde com a forma de governo, pois este termo diz respeito ao modo como se relacionam os poderes.
(d) Governo é o conjunto das instituições politicamente organizadas em estruturas próprias (Estado, forças armadas, funcionalismo público etc), que controlam e administram uma nação. Possui uma organização política, social e jurídica, ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, redigida e dirigida por uma autoridade que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. Um Governo soberano é responsável pela organização e pelo controle social, pois detém o monopólio da violência legítima.
(e)  Para a moderna concepção política, o poder de Governo, uma vez institucionalizado, está normalmente associado à noção de Estado. Pode-se ainda definir Governo como o conjunto de pessoas que exercem o poder político e que determinam a orientação política de uma determinada sociedade.

QUESTÃO 03 – De acordo com Bobbio (2004), a Ciência Política, como disciplina, é uma forma de conhecimento científico originada no século XIX. Como toda forma de conhecimento, ela reflete as preocupações e as necessidades dos homens de seu tempo. A emergência do pensamento social em bases científicas se deu em função de fatores históricos, sociais, políticos e culturais. Os fatores históricos referem-se às transformações na estrutura da sociedade. Já os fatores sociais, políticos e culturais, estão muito mais relacionados às transformações nas maneiras de as pessoas pensarem, se relacionarem e compreenderem a sua realidade. Do ponto de vista histórico, social, político e cultural, uma multiplicidade de eventos poderiam ser apontadas como determinantes para o surgimento da Ciência Política moderna. Basicamente três acontecimentos podem ser destacados como fundamentais para este processo, pois eles, concomitantemente, afetaram diretamente as bases sociais e políticas da convivência humana.

I.                   O primeiro acontecimento é de ordem econômica. Os séculos XVIII e XIX presenciaram uma das mais intensas, rápidas e profundas transformações sociais que a história já vivenciou. Junto com as mudanças econômicas vieram à tona fenômenos sociais radicalmente novos, como a urbanização, a aceleração do tempo, a família nuclear e uma série de problemas sociais, como a proletarização, novas formas de pobreza e conflitos políticos.
II.                Um segundo evento, este essencialmente político, marcou a Europa no final do século XVIII. A partir dele, iniciou-se a queda dos regimes monárquicos absolutistas e começou-se instaurar o sufrágio eleitoral democrático moderno. Emergem os Direitos do Homem e as noções de liberdade, igualdade e de fraternidade, estremecendo as tradições políticas européias remanescentes de tempos medievais e renascentistas.
III.             Por último, e concomitante aos dois primeiros eventos, consagrava-se na Europa uma nova forma de pensar e entender filosoficamente o mundo. Esse movimento de idéias tinha como objetivo primordial entender e organizar a sociedade a partir da razão. Essa razão era a luz que sepultaria as trevas, representadas, sobretudo, pela monarquia e pela religião. Essa metamorfose cultural, em trânsito desde o século XV, tencionava colocar o Homem (antropocentrismo), no lugar de Deus (teocentrismo), marcando, com isso, a emergência do pensamento social em bases científicas e racionais.

Os três eventos narrados acima são historicamente, melhor denominados de:

Revolução Industrial (   )
Revolução Francesa (   )
Revolução Iluminista (   )



QUESTÃO 04 – No verbete sobre Poder, no dicionário de política de Norberto Bobbio, p. 940, o autor afirma que o campo em que o Poder ganha seu papel mais crucial é o da política. Nesse campo, o Poder tem sido pesquisado e analisado continuamente e com a maior riqueza de métodos e resultados. Uma análise clássica é, segundo Bobbio, a de Max Weber. Segundo Weber, a dominação legítima pode justificar-se por três motivos de submissão ou princípios de autoridade, baseados em racionalidade, ancestralidade ou afetividade. Para Weber, as relações de mando e de obediência mais ou menos confirmadas no tempo, e que se encontram tipicamente nas relações de poder, tendem a se basear não só em fundamentos materiais ou no mero hábito de relações de obediência dos súditos, mas também e principalmente num específico fundamento de legitimidade. Aponte a alternativa que apresenta estes três tipos puros de dominação legítima:

(a)  Coação, persuasão e manipulação
(b) Racional, ancestral e afetiva
(c)  Coercitivo, burocrático e legal
(d) Legal, tradicional e carismático
(e)  Burocrático, carismático e autoritário

QUESTÃO 05 – Nícolo Maquiavel é considerado o precursor da política moderna por ter escrito um primeiro “manual de política”, um manual sobre a arte de governar, dedicado a Lourenço de Médici (neto de Lourenço, o Magnífico). Em outras palavras, na obra O Príncipe, o autor fala sobre as relações que um monarca de ter com os nobres, com o clero e também com o povo. Descreve como conquistar o poder e mantê-lo, dá instruções de como o monarca deve explorar ao máximo seus poderes, além de ensinar a manipular a vontade do povo. A partir do texto de Maria Tereza Sadek e da teoria política de Maquiavel, leia as afirmações abaixo e aponte (V) para verdadeiro e (F) para falso:

I.                   Maquiavélico e maquiavelismo são adjetivo e substantivo que estão tanto no discurso erudito, no debate político, quanto na fala do dia-a-dia. Seu uso extrapola o mundo da política e habita sem nenhuma cerimônia o universo das relações privadas. Em qualquer de suas acepções, porém, o maquiavelismo está associado à idéia de perfídia, a um pronunciamento astucioso, velhaco, traiçoeiro, sendo uma forma de desqualificar o inimigo, apresentando-o sempre como a encarnação do mal.

II.                Segundo Maria Tereza Sadek a chave metodológica para compreender o autor é saber que Maquiavel pretendia ver e examinar a realidade tal como ela é e não como se gostaria que ela fosse. A filosofia política da época preocupava-se com o dever ser. A preocupação de Maquiavel era com o ser, com a realidade. O autor está preocupado em saber como os homens governam de fato, quais os limites do uso da violência para conquistar e conservar o poder.

III.             Acerca da natureza humana, pode-se afirmar que Maquiavel põe fim à idéia de uma ordem natural e eterna. Ela é produto necessário da política, não é natural, não é manifestação de uma vontade extraterrena, nem se dá ao acaso. A ordem deve ser construída por homens para se evitar o caos e a barbárie. Uma vez alcançada, não será definitiva, há sempre a ameaça iminente de ser desfeita.

IV.            Em O príncipe fica claro que a lógica do poder é, antes de tudo, a lógica da força. A política é um constante conflito, assim como toda atividade humana. A boa ação política é, nesse sentido, aquela que consegue atingir os resultados almejados. É uma lógica em que os fins se sobressaem aos meios, desde que os primeiros se dêem em benefício do bem comum.

V.               Para Maquiavel, o príncipe virtuoso será aquele que aproveitar a situação para realizar as ações necessárias para alcançar os objetivos pretendidos. O governante deverá agir com virtú, conceito que para Maquiavel não remete a bondade ou justiça, mas, sim, a força e valor. O conceito de virtú está muito mais relacionado ao de fortuna, que significa oportunidade, acaso. Assim, a virtude maquiavélica se mostrará na ação contundente e oportunista, ancorada na prudência do observador atento.

Marque a alternativa correta:

(a)  A afirmação (II) e uma outra são falsas
(b) A afirmação (V) e uma outra são verdadeiras
(c)  Há, no máximo, três afirmações verdadeiras
(d) Há, pelo menos, três afirmações falsas
(e)  Há mais afirmações falsas do que afirmações verdadeiras

QUESTÃO 06 – Segundo o texto de Renato Janine Ribeiro sobre Thomas Hobbes, podemos afirmar que o autor é um contratualista. Um daqueles pensadores inseridos, basicamente, entre os séculos XVI e XVIII, que acreditavam que a origem do Estado e/ou da sociedade está em um contrato. Nessa corrente de pensamento político, os homens viveriam, quando em seu estado de natureza, sem um poder de organização. Este, só surgiria depois de um pacto firmado por eles estabelecendo as regras de convívio social e de subordinação política. A partir das informações do texto e a respeito da obra de Hobbes, responda SIM ou NÃO para as perguntas a seguir:

I.                   Há, pelo menos, dois paradigmas políticos e filosóficos bem claros, que contrastam as maneiras de conceber o mundo e podem ser exemplificados por Thomas Hobbes e J.J. Rousseau. É correto afirmar que os paradigmas hobbesiano e rousseauniano apresentam posições diametralmente opostas, sendo que no primeiro a bondade humana natural teria sido corrompida pelas convenções sociais; enquanto que, no segundo, a maldade intrínseca à humanidade provocaria comportamentos justificadamente defensivos?

II.                Para Hobbes, o homem em seu estado de natureza, na ânsia de sobreviver e satisfazer seus desejos vive em uma constante guerra de todos contra todos, devido à ausência de governo ou de leis que os regulem. É correto afirmar que a associação política entre os homens, isto é, a determinação de viver em sociedade, decorre fundamentalmente do desejo universal de vida e de auto-conservação?

III.             Segundo Hobbes, a paz alcançada pelo pacto político entre os homens que decidem viver em sociedade não é estável devido ao fato de que eles não possuem uma disposição natural para viver em sociedade, e de que a natureza do Homem tende sempre ao descumprimento desse pacto?

IV.            A ordem política, para Hobbes, põe fim à luta de vida ou morte, e isso só ocorre na medida em que os membros da coletividade consentem em reconhecer a absoluta soberania de uma autoridade maior que exerce seu poder por meio de decisões das quais só ela é responsável e de leis que ela impõe como princípios necessários da organização do poder?

V.               Na expressão conhecida de Hobbes “Homo homini lupus”(o homem é o lobo do homem), fica demonstrado o caráter monstruoso da condição humana. Em sua obra O Leviatã, Hobbes compara o corpo político, o Estado a um lobo selvagem, que compete pela sobrevivência, monstruoso, cruel e opressor?

  1. (   )
  2. (   )
  3. (   )
  4. (   )
  5. (   )


QUESTÃO 07 – Para compreender o pensamento de John Locke é necessário entender que o pensamento do século XVII caracterizou-se fundamentalmente por ser metafísico e racionalista, enquanto que o do século XVIII apresenta uma tendência mais epistemológica. Em outras palavras, significa dizer que nesse último, a investigação sobre como a mente humana e como as pessoas adquirem conhecimento verdadeiro das coisas é muito mais empirista. Isto é, se enfatiza o papel da experiência no processo de formação das idéias e do conhecimento. A partir do texto de Leonel Itaussu Almeida Mello sobre a teoria social e política de Locke, assinale a alternativa incorreta:

(a)  No Ensaio acerca do Entendimento Humano desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza de nossos conhecimentos. Comparando a mente humana a uma tábula rasa, a exemplo de uma folha de papel em branco, Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que tudo que aprendemos tem origem no que pode ser percebido pelos sentidos. Como os demais empiristas acreditava que todo conhecimento humano deriva da experiência.
(b) A obra política de John Locke teve uma influência considerável na intelectualidade européia. Em sua obra Segundo Tratado do Governo Civil o autor apresentou a fórmula liberal do Estado moderno. Sua clareza, sua concisão, mas também sua moderação e sua preocupação com a consciência comum fizeram dela um instrumento por excelência da luta contra a tirania religiosa e política. As duas declarações dos direitos do Homem (Americana e Francesa) inspiraram-se em suas obras.
(c)  Os principais fundamentos do Estado civil, para Locke, podem ser compreendidos como o livre consentimento dos indivíduos para o estabelecimento da sociedade, o livre consentimento da comunidade para a formação do governo, a proteção dos direitos de propriedade pelo governo, o controle do executivo pelo legislativo e o controle do governo pela sociedade.
(d) O contrato social em Locke assemelha-se ao contrato social hobbesiano. O estado de natureza, relativamente pacífico, não está isento de inconvenientes, como a violação da propriedade. Na falta de leis estabelecidas, de um moderador, da força coercitiva de uma autoridade, os indivíduos se vêem em guerra uns contra os outros. É a necessidade de superar esses inconvenientes que leva os homens a se unirem e estabelecerem livremente entre si o contrato social. Nesse caso, os homens se submetem a um pacto, visando a preservação de suas vidas, abrindo mão de seus direitos originais, de seu estado de natureza.
(e)  Locke é considerado uma das maiores expressões do individualismo liberal. Para ele, a questão central do estado civil é perpassada pelo jusnaturalismo, e reside nos direitos naturais inalienáveis do indivíduo: a vida, a liberdade e a propriedade.

QUESTÃO 08 – A partir do texto de J.A.Guilhon Albuquerque pode-se compreender que Montesquieu seria, até certo ponto, um discípulo dos filósofos clássicos. Nesse sentido desenvolveu uma teoria sobre os tipos de governo que, mesmo se afastando em alguns pontos da teoria clássica de Aristóteles, pertence ainda à tradição desses filósofos. Montesquieu seria também, em boa medida, um pensador que investiga a influência que o clima, a natureza do solo, a quantidade de pessoas e a religião podem exercer sobre os diferentes aspectos da vida coletiva. Sobre a teoria social e política de Montesquieu, assinale (V) para verdadeiro e (F) para falso:

I.                   Para Montesquieu, a forma de organização política, em três níveis de poderes, é positiva, pois a concentração de poder em uma só mão poderia recair para o abuso. Nessa divisão, cada poder deve agir independentemente, mas ao mesmo tempo, em articulação com os demais poderes, de modo que eles se limitem mutuamente.

II.                Na análise social e política de Montesquieu, podemos encontrar duas características marcantes: liberalismo político e poder laico.

III.             Em Montesquieu, a liberdade está no equilíbrio das forças. Só esse equilíbrio de forças impedirá as arbitrariedades e propiciará o máximo de liberdade a cada indivíduo.

IV.            Filósofo iluminista, crítico voraz do poder absolutista, Montesquieu foi um dos mais influentes teóricos de sua época. Durante a Revolução Francesa, foi protagonista no enfrentamento do rei Luiz XVI e na derrubada da monarquia.

V.               Em O Espírito das Leis, sua mais influente obra política, afirma que em uma república, quando o povo todo detém o poder soberano, configura-se uma aristocracia. Quando esse poder soberano está nas mãos de apenas uma parte do povo, então configura-se uma democracia.


Marque a alternativa correta:

(a)  Há três alternativas verdadeiras e duas alternativas falsas
(b) Há mais alternativas falsas do que alternativas verdadeiras
(c)  A alternativa (I) é falsa
(d) A alternativa (III) é falsa
(e)  A alternativa (V) é verdadeira

QUESTÃO 09 – O texto de Milton Meira do Nascimento a respeito do pensador iluminista Jean-Jacques Rousseau dá conta de um autor inserido em uma época denominada século das luzes, onde se preconizava a difusão do saber como meio eficaz para se por fim à superstição, à ignorância, ao império da opinião e do preconceito e que acreditava estar dando uma contribuição enorme para o progresso do espírito humano. A partir do texto utilizado em aula e sobre o legado de Rousseau, assinale a alternativa incorreta:

(a)  As duas obras de maior caráter político de Rousseau são Do Contrato Social e Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. No primeiro, Rousseau afirma a conhecida frase “O homem nasce livre, e por toda parte encontra-se aprisionado.” Já no Discurso, Rousseau afirma que “falando incessantemente de necessidade, avidez, opressão, desejo e orgulho transportaram para o estado de natureza as idéias que tinham adquirido em sociedade; falavam do homem selvagem e descreviam o homem civil.”
(b) O homem em estado de natureza, segundo Rousseau, teria vivido livre solitário e feliz. Seria orientado apenas por seu instinto de auto-preservação, sem precisar de nada nem de ninguém. Dessa forma, o autor contesta o pensamento de Locke e de Hobbes, sendo então o primeiro pensador a criticar a civilização como fator de degeneração da natureza humana. Segundo Rousseau, o homem é bom por natureza e é a sociedade que o corrompe.
(c)  O contrato social, o pacto civil, era concebido por Rousseau como um engodo, uma burla. Seria essa associação, para o autor, um pacto cuja função era defender e proteger as pessoas e os bens. Nesse sentido, cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si próprio, permanecendo tão livre quanto antes. Assim, todos se mantêm livres e iguais ao ingresso na sociedade civil, no corpo político.
(d) No começo do Discurso Rousseau descreve a gênese da sociedade civil: “O primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer: ‘isto é meu’, e encontrou pessoas bastante simples para crê-lo, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.” Assim, o autor atribui a maior importância para a propriedade privada na origem da desigualdade entre os homens. Ameaçados em sua segurança, os homens são levados a consentir numa certa organização política e a firmarem determinados contratos sociais.
(e)  As idéias políticas de Rousseau ultrapassaram o contexto revolucionário francês do final do século XVIII. Elas estariam na raiz dos movimentos socialistas surgidos, em toda Europa, a partir do século seguinte. A idéia de vontade geral, é para o autor, aquela que coloca a soma dos interesses particulares à frente da coletividade. Todo cidadão deve se subordinar à vontade geral, mesmo que como indivíduo, entenda que ela contraria seu interesse particular.

QUESTÃO 10 – Em artigo publicado no Caderno Mix do Jornal Diário de Santa Maria, p. 14, de 22/23 de abril de 2006, o professor, doutor em ciência política, do Departamento de Ciências Sociais da UFSM, Reginaldo Teixeira Perez afirma “Na política, os fins acabam por se impor: almeja-se chegar ao poder. Daí a reação dos institucionalistas. Montesquieu e Madison, por exemplo, pensadores do século 18 e representantes, respectivamente, das escolas políticas francesa e norte americana, investiram na criação de mecanismos de controle sobre os responsáveis pelos poderes. Passados dois séculos, remanesce a lição dos mestres: urge desconfiar da alma humana.” Com base no texto de Fernando Papaterra Limongi, aponte a alternativa que apresenta os três autores do texto “O Federalista”:

(a)  Montesquieu, James Madison e Rousseau
(b) Rousseau, Alexander Hamilton e James Madison
(c)  James Madison, Alexander Hamilton e John Jay
(d) John Jay, Thomas Hobbes e Montesquieu
(e)  Alexander Madison, John Hamilton e James Jay

Resenha do texto de Denys Cuche


Hierarquias Sociais e Hierarquias Culturais - Capítulo 5


                                                                           
DEFINIÇÃO DE CULTURA

·         Cultura não é uma herança que se transmite imutável de geração em geração, é uma produção e construção histórica das relações dos grupos sociais entre si.
·         Para analisar um sistema cultural é necessário analisar o contexto sócio-histórico.
·         Nascem de relações sociais que são sempre desiguais, resultando nas hierarquias sociais.
·         Todas as culturas merecem a mesma atenção, mas isso não significa que todas elas são reconhecidas como de mesmo valor.
·         Daí a necessidade de fazer uma análise “polemológica” das culturas: elas se desenvolveram na tensão e, muitas vezes, na violência.
·         Nas disputas culturais não é a lei dos mais fortes que está em jogo; por isso, é necessário evitar as interpretações de que o mais forte está sempre em condições de impor sua ordem cultural ao mais fraco.

CULTURA DOMINANTE E CULTURA DOMINADA

·         Para Marx e Weber, a cultura da classe dominante é sempre a cultura dominante; ao dizer isso eles não pretendem afirmar que a cultura dominante seja superior e que esta dominasse ‘’naturalmente’’ as outras culturas.
·         Na realidade, o que existe são grupos sociais que estão em relação de dominação ou de subordinação uns com os outros.
·         Sendo assim, uma cultura dominada não é necessariamente uma cultura alienada e totalmente dependente. O que acontece, é que ela não pode desconsiderar a cultura dominante ao longo de sua evolução – sendo a recíproca verdadeira, ainda que em menor grau.
·          Uma cultura dominante não pode se impor a uma cultura dominada como um grupo pode fazê-lo em relação a um grupo mais fraco.

AS CULTURAS POPULARES

Do ponto de vista das ciências sociais, duas teses unilaterais devem ser evitadas:
·         MINIMALISTA: defende que a única e “verdadeira cultura” seria a cultura das elites sociais, e as culturas populares seriam apenas seus subprodutos inacabados.
·         MAXIMALISTA: defende que as culturas populares seriam culturas autênticas, completamente autônomas e até mesmo superiores à cultura de elite.

Contudo, a realidade é bem mais complexa do que é apresentado por estas duas teorias extremas. Nem inteiramente autônomas, nem pura imitação, nem pura criatividade: Toda cultura particular é uma reunião de elementos originais e de elementos importados, de invenções próprias e de empréstimos.
·         Se uma cultura popular é obrigada a funcionar como cultura dominada, isto não impede que ela seja uma cultura inteira; baseada em valores e práticas originais que dão sentido à sua existência.

A METÁFORA DA BRICOLAGEM

·         É definida por Lèvi-Strauss (1962) como colagem, construção, conserto, arranjo feito com materiais diversos.
·         Foi usada para caracterizar o modo de criatividade próprio das culturas populares e das culturas imigradas, assim como dos novos cultos sincréticos do 3º mundo ou das sociedades ocidentais.
·         No caso das culturas negras na América a bricolagem permitiu preencher as lacunas da memória coletiva profundamente perturbada pela escravidão e pela transferência de local.
·         A bricolagem também pode ser feita de tédio, de trabalho forçado e do prazer da iniciativa, da obrigação e da liberdade.

A NOÇÃO DE CULTURA DE MASSA

O desenvolvimento dos meios de comunicação de massa acompanha a introdução cada vez mais determinante dos critérios de rendimento e de rentabilidade em tudo o que se refere à produção cultural.
·         Muitos autores dedicam suas análises à questão do consumo da cultura produzida pelas mass media. Dentre essas análises, conclui-se que há uma certa forma de nivelamento cultural entre os grupos sociais.
·         Dessa maneira, supõe-se que as mídias provoquem uma alienação cultural, uma aniquilação de qualquer capacidade criativa do indivíduo, que, dessa forma, não teria meios de escapar à influência da mensagem transmitida.
·         Contudo, não é porque certa massa de indivíduos recebe a mesma mensagem que esta massa constitui um conjunto homogêneo. Há uma certa uniformização da mensagem midiática, mas isto não nos permite deduzir que haja uniformização da recepção da mensagem.
·         Por mais “padronizado” que seja o produto de uma emissão, sua recepção não pode ser uniforme e depende muito das particularidades culturais de cada grupo – bem como da situação que cada grupo vive no momento da recepção.

AS CULTURAS DE CLASSE

·         A evidência da relativa autonomia das culturas das classes subalternas, levaram os pesquisadores a reconsiderar positivamente o conceito de cultura baseando-se em pesquisas empíricas e não mais em deduções filosóficas.
·         Os sistemas de valores, os modelos de comportamento e os princípios de educação variam sensivelmente de uma classe a outra.
·         No campo da alimentação, os hábitos ligados às tradições dos diferentes meios sociais são bastante estáveis, as práticas alimentares estão profundamente ligadas aos gostos que variam de classe para classe, com base a imagens inconscientes, a aprendizados e a lembranças de infância.

MAX WEBER E O APARECIMENTO DA CLASSE DOS EMPRESÁRIOS CAPITALISTAS

·         Max Weber (1864 – 1920) tenta demonstrar em sua obra “A ética e o espírito do capitalismo” que os comportamentos econômicos da classe dos empresários capitalistas são compreensíveis somente se levarmos em consideração a sua concepção de mundo e seu sistema de valores.
·         Mais do que a grande burguesia tradicional, a classe que vai desempenhar um papel decisivo no progresso do capitalismo moderno, é a média burguesia, classe em plena ascensão no começo da era industrial.
·         O que caracteriza esta classe média, segundo os próprios termos de Max Weber, é um “estilo de vida”, um “modo de vida”, novo ethos (novos costumes).
·         O ethos capitalista implica em uma ética da consciência profissional e uma valorização do trabalho como atividade que tem um fim em si mesma. O trabalho dá sentido à vida.
·         Max diz que os empresários que introduziram uma nova forma de comportamento são os protestantes puritanos que transformam o ascetismo religioso em um ascetismo secular.
·         Ele se opunha à tese do “materialismo histórico” que ele considerava “simplista”. Segundo esta tese, as idéias, os valores e as representações seriam apenas o reflexo ou a superestrutura, de situações econômicas dadas.

A CULTURA OPERÁRIA
·         As necessidades que orientam as práticas culturais dos indivíduos são determinadas pelas relações de produção. Estabelecem um vinculo entre a natureza do trabalho operária e as formas do consumo operário.
·         O sentimento freqüente de vinculação a uma comunidade de vida e de destino provoca uma bipartição fundamental do mundo social entre “eles” e “nós”. Esta bipartição se traduz por um grande conformismo cultural.
·         A “privatização” dos modos de vida operária se acentuou, com um forte recuo para o espaço familiar.
·         Segundo Jean-Pierre Terrail, as evoluções culturais que acompanham a entrada dos operários no que ele chama de “a era da abundância” são mais uma adaptação das antigas normal do que a adoção de novas normas tomadas do exterior.

A CULTURA BURGUESA

·         Ao contrário do mundo operário, a burguesia produz inúmeras representações de si mesma, representações literárias, cinematográficas, jornalísticas. Pretendendo conservar o domínio de sua própria representação, ela se defende cuidadosamente contra a curiosidade dos pesquisadores e de suas análises.
·         A burguesia enquanto indivíduo não se reconhecem como tal, recusam que os qualifiquem por este termo. A cultura burguesa é raramente uma cultura que as pessoas reivindicam e da qual se orgulham.
·         Beatrix Le Wita desenvolveu uma das primeiras abordagens etnográficas da cultura burguesa, ao fazer uma pesquisa principalmente sobre os colégios particulares católicos Sainte Marie de Paris e de Neuilly, e sobre as mulheres saídas destas instituições. Ela toma três elementos fundamentais para analisar a cultura burguesa: a atenção dada aos detalhes, em particular as vestimentas, o controle de si mesmas e a ritualização da vida cotidiana.

BOURDIEU E A NOÇÃO DE “HABITUS”

·         Pierre Bourdieu usa raramente o conceito antropológico de cultura, em seus textos o termo “cultura” é usado geralmente em sentidos mais restritos e mais clássicos ligados a “obras culturais”, aos produtos simbólicos socialmente valorizados ligados ao domínio das artes e das letras.
·         Para suas análises, as práticas culturais estão estreitamente ligadas à estratificação social.
·         Ele não foi propriamente o criador do termo “habitus”. O sentido da prática explica mais detalhadamente a concepção de “habitus”: “são sistemas de disposições duráveis e transponíveis. O hábitus é o que caracteriza uma classe ou um grupo social em relação aos outros que não partilham das mesmas condições sociais.
·         Bourdieu afirma que o “habitus funciona como a materialização da memória coletiva que reproduz para os sucessores as aquisições dos precursores”. Ele explica porque os membros de uma mesma classe agem freqüentemente de maneira semelhante sem ter necessidade de entrar em acordo para isso.
·         O habitus é também incorporação da memória coletiva, em seu sentido próprio. As disposições duráveis que caracterizam o habitus são também disposições corporais que constituem a “hexis corporal”.
·         A Pela hexis corporal as características sociais são de certa forma “naturalizadas”: o que parece e o que é vivido como “natural” depende, na realidade de um habitus.

Por Alessandra Cichoski e Danilo Teles

Resenha do Texto do Prof Ruben Oliven

Novas fronteiras da cultura

Até pouco tempo a cultura era associada a grupos que ocupavam um espaço, a preocupação em marcar território era fundamental, e tudo o que vinha de fora era visto como impuro ou perigoso. Essa era a idéia de que cada povo tinha a sua cultura, sua língua, seus costumes, tendo seu território delimitado.
Como as pessoas viajam, a sua cultura, seu costume, sua idéia, sua língua também viajam, muitas vezes viajam através de livros, filmes, televisão e internet. Assim há uma espécie de “troca” de cultura, a gente se adapta a novos costumes, da mesma maneira as outras pessoas adaptam-se aos nossos costumes e a nossa maneira de viver. Assim acontece o processo de desterritorialização em que uma cultura originada em um determinado lugar migra para outro, e reterritorialização quando essa cultura se adapta e se integra em um novo lugar.
A culinária é uma das áreas da cultura que foi transportada de um país para outro pelos imigrantes. Como a pizza e as massas da Itália e o feijão comida utilizada pelos escravos.
No Brasil, há uma grande variedade de culturas, originadas de manifestações culturais que tiveram suas origens restritas a um grupo social.
As idéias também viajam, como o espiritismo kardecista, que surgiu na França mas se tornou mas influente e difundido no Brasil.
O positivismo também, que surgiu na França, mas foi muito mais importante no Brasil, e foi uma das forças ligadas a Proclamação da Republica, e deixou sua marca na nossa bandeira com o lema “Ordem e Progresso”.
A religião também foi transportada pelos imigrantes, como as religiões africanas, o Batuque,Candomblé, Xangô, Macumba, e depois o surgimento da religião Umbanda no século XX, combinando elementos africanos, kardecistas e católicos.
A música, como  o rock que tem sua origem no Estados Unidos mas é difundida nos outros países, o jeans que surge na Califórnia como roupa para garimpeiros, e hoje o mundo inteiro usa. Os difundidos mais recentemente como os shopinng centers e fast-food.
A cultura está cada vez mais mundializada, o que antes era delimitado, agora seguem a globalização e não respeitam mais as fronteiras nacionais ou regionais.
Durante a fase populista, o que vinha de fora era visto como impuro e perigoso, assim a coca-cola e o cinema de Hollywood eram muitas vezes satanizados como exemplos de imperialismo cultural norte-americano, de maneira que o samba e o cinema novo era exemplos do que havia de mais autenticamente nacional.
As novas fronteiras da cultura em vez de fazer o sentido nacionalidade diminuir, o faz crescer, pois a criação de manifestações culturais mundializadas não significa que as questões locais estão desaparecendo. Ao contrário, a globalização torna o local mais importante do que nunca.
A consolidação da União Européia que ocorreu na virada do século XX, não significa , o desaparecimento da diversidade cultural, cada país continuará falando diferentes línguas, e se manterá a riqueza cultural de cada país, esses países apenas tiveram a integração de seus exércitos, a criação do euro, e a abolição de fronteiras econômicas  e de mercado de trabalho.
Mas isso não significa que os conflitos étnicos e regionais tenham desaparecido.
Nos EUA o modo de vida norte-americano está hoje num momento em que os diferentes grupos étnicos reivindicam sua especificidade, esse processo faz com que não exista mais ninguém que seja apenas norte-americano, além dos descendentes dos primeiros anglo-saxões.a construção de novas identidades sociais dentro da identidade nacional significa a afirmação das diferenças em relação aos outros grupos e a não-aceitação de uma modo único de ser norte-americano.
Essas situações contraditórias pelas quais alguns países vêm passando, são resultados de uma série de processos que o mundo vem vivenciando. Nos últimos duzentos anos presenciou-se a formação de estados nação baseados na idéia de uma comunidade de sentimentos e interesses que ocupam um território delimitado e cuja as fronteiras, precisam ser cuidadosamente preservadas, o conceito de estado-nação está sendo afetado, na medida em que a velocidade de informação e dos deslocamentos se intensifica e faz com que as mudanças se acelerem cada vez mais. Desde as viagens marítimas da Idade Moderna havia troca de mercadorias entre um continente e outro, atualmente,  estamos assistindo a globalização da economia.
Todos esse processos refletem no âmbito da cultura, com a velocidade da disseminação das mensagens estão se criando estilos de vida mundializados.  Se antigamente as culturas eram tendiam a ser associadas a um território e a identidades definidas, o que se verifica hoje é um cruzamento das fronteiras culturais e simbólicas.
Esse processo de mundialização da cultura, que dá a impressão de que vivemos numa aldeia global, repondo a questão da tradição, da nação e da região. A medida que o mundo se internacionaliza, s diferenças se recolocam e há intenso processo de construção de identidades. Se antigamente o mundo se mostrou contrário a manutenção da diversidade, hoje assistimos a afirmação das diferenças.
A medida que o mundo fica “menor” ( as diversidades, não são mais tão diferentes, estamos nos tornando todos iguais), é difícil nos identificarmos com categorias genéricas, somos todos cidadãos do mundo, mas precisamos de marcos de referencia que estejam mais próximos de nós.
O Brasil já se encontra bastante integrado do ponto de vista político, econômico e tecnológico que é necessário repensar a questão da diversidade cultural, a rede de comunicação de massa seria a responsável pela acentuação da uniformização dos hábitos e atitudes da população se perdendo a diversidade cultural. Assistindo a crescente integração, a afirmação dos diferentes tipos de identidade, como a identidade regional salienta suas diferenças do resto do Brasil.
O RS é um exemplo, onde o termo gaúcho através de um processo de elaboração cultural compreende todos os seus habitantes, incluindo descendentes de imigrantes.
Hoje para os gaúchos, só se chega ao nacional através do regional, ou seja, para sermos brasileiros precisamos ser gaúchos.

Guilherme Howes & Jenifer Lasch 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Prova de Teoria Social Clássica

QUESTÃO 01 – Na aula sobre os antecedentes intelectuais e históricos da Sociologia, o texto de Tania Quintaneiro Um toque de Clássicos dá conta de um contexto histórico de profunda ebulição da ciência européia moderna: “É esse movimento de idéias – que alcança seu ponto culminante com a Revolução Francesa e o novo quadro sociopolítico por ela configurado – que terá um impacto decisivo na formação da Sociologia e na definição de seu principal foco: o conflito entre o legado da tradição e as forças da modernidade.” Esse movimento de idéias a que o excerto do texto faz menção, é um evento histórico melhor denominado de:
Assinale a alternativa correta:
(a) Antigüidade
(b) Medievo
(c) Modernidade
(d) Ilustração
(e) Racionalismo

QUESTÃO 02 – As ciências sociais e, em particular, a Sociologia, apresentam uma multiplicidade de métodos, a partir das vertentes racionais da indução e dedução. Em linhas gerais, podemos afirmar que a produção teórica contemporânea – século XX e início do novo milênio – ainda não resultou em uma síntese metodológica. Convivem diferentes vertentes da explicação sociológica. Dos autores clássicos vertem métodos particulares, na ânsia de dar conta dos problemas da ciência em afirmação e da realidade social fugidia . Sobre os métodos mencionados no excerto de texto acima, relacione o autor ao seu método de análise sociológica:

(M) Marx
(D) Durkheim
(W) Weber

( )01 Posição de neutralidade e objetividade do pesquisador em relação à sociedade. Deve descrever a realidade social, sem deixar que suas opiniões interfiram na observação

( )02 As normas e regras sociais não são, necessariamente, exteriores aos indivíduos, elas são o resultado de um conjunto de ações individuais, e os agentes escolhem o tempo todo, diferentes formas de conduta. Ainda enfatiza o papel ativo do pesquisador em face da sociedade.

( )03 As condições materiais de toda a sociedade condicionam as demais relações sociais. O autor enfatiza que o pesquisador não deve se restringir à descrição da realidade social, mas deve também analisar como essa realidade se produz e se reproduz ao longo da história.

Marque a alternativa que apresenta a seqüência correta

(a)    (b)    (c)    (d)    (e)

D      W      M      D    W

W      D      D      M    M

M      M     W      W    D

QUESTÃO 03 – A sociologia é o estudo da vida social humana, dos grupos e das sociedades. É um empreendimento fascinante e irresistível, já que seu objeto de estudo é nosso próprio comportamento como seres sociais. A abrangência do estudo sociológico é extremamente vasta, incluindo desde a análise de encontros ocasionais entre indivíduos na rua até a investigação de processos sociais globais. (p. 24) A partir do texto de Giddens, O que é sociologia? assinale a alternativa que apresenta afirmações falsas:

(a) A sociologia pode ser identificada como o estudo sistemático das sociedades humanas, dando ênfase especial a sistemas modernos e industrializados.
(b) A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.
(c) A sociologia surgiu como uma tentativa de entender as mudanças abrangentes que ocorreram nas sociedades humanas no decorrer dos dois ou três últimos séculos. As mudanças envolvidas não são apenas as de larga escala; elas também envolvem mudanças nas mais íntimas e pessoais características das vidas das pessoas.
(d) A sociologia fornece, e por encetar a capacidade imaginativa, em termos práticos, auto-esclarecimento aos indivíduos e aos grupos, oportunizando condições mais favoráveis de alterar as circunstâncias de suas próprias vidas.
(e) A sociologia se caracteriza por apresentar um conjunto restrito de abordagens teóricas. Em sua essência, mantêm-se à margem das disputas teóricas já encontradas nas ciências naturais. O fato de nosso próprio comportamento ser o objeto de estudo da sociologia, faz com que esta ciência avance em objetividade e neutralidade.

QUESTÃO 04 – Sobre o texto A crise das explicações religiosas e o triunfo da ciência, de Cristina Costa, marque (V) para verdadeiro e (F) para falso, de acordo com o que é afirmado pela autora:

I. As idéias de progresso, racionalismo e cientificismo exerceram todo um encanto sobre a mentalidade da época – a vida parecia submeter-se aos ditames do homem esclarecido. Preparava-se o caminho para o amplo progresso científico que aflorou no final do século XIX.

II. A Igreja foi questionada como fonte de poder secular, político e econômico, na medida em que se imiscuía em questões civis e de Estado. Tal questionamento levou à descrença na doutrina e na infalibilidade eclesiásticas, bem como ao repúdio da secular atuação do clero.

III. Defendida por uns, repudiada por outros, a Igreja perdia o importante papel de explicar o mundo aos homens, passando, ao contrário, a ser explicada por eles. A religião passa por um processo de dessacralização, sendo encarada com mais um dos aspectos da cultura humana. Esse olhar laico e especulativo sobre as doutrinas religiosas, impulsionaram o desenvolvimento das ciências humanas, em particular das ciências sociais.

IV. A sociologia se desenvolveu no século XIX, quando a racionalidade das ciências naturais e de seu método haviam obtido o reconhecimento necessário para substituir a religião na explicação da origem, desenvolvimento e finalidade do mundo.

Marque a alternativa que apresenta a sentença correta:

(a) Há uma afirmação falsa.
(b) Há, pelo menos, duas afirmações falsas.
(c) Há mais de duas afirmações verdadeiras.
(d) Há, no máximo, uma afirmação verdadeira.
(e) Há, no máximo, duas afirmações verdadeiras.

QUESTÃO 05 – Cristina Costa, no texto A emergência do Pensamento Social em bases científicas, descreve como a formação do pensamento social laico dependeu da confluência de condições históricas que exigissem a análise da vida social em sua especificidade e concretude. Dependeu também do amadurecimento do pensamento científico e do interesse pela vida material do homem. O pensamento social emergente desse contexto protagonizou as primeiras formulações sociológicas, que foram a base para a posterior sedimentação da teoria social moderna, de Durkheim, Marx e Weber. Sobre essas primeiras formulações, é incorreto afirmar que:

(a) O darwinismo social era uma corrente de idéias que fundamentava o argumento até então irrefutável e inquestionável de que o mais alto grau de civilização a que um povo poderia chegar seria já alcançado pelos europeus – a sociedade capitalista industrial do século XIX.

(b) A transposição de conceitos físicos e biológicos (das ciências naturais em geral) para o estudo das sociedades e do comportamento humano proporcionaram avanços até hoje irrepreensíveis às interpretações sociais. Isso trouxe garantias de cientificismo às ações guiadas, até então, por preconceitos e interesses particulares.

(c) O evolucionismo é uma corrente teórica que coloca todos os povos em uma linha unívoca, linear e diacrônica de desenvolvimento cognitivo. Ignora as especificidades históricas e culturais dos homens, estabelecendo leis de evolução em que as diversas sociedade humanas são tratadas como espécies.

(d) A concepção evolucionista da história concebia um grande movimento geral da humanidade. Essa dinâmica descrevia que todos partiriam de uma origem comum a um fim necessário e semelhante. Daí se entender os diferentes momentos da história de cada sociedade como expressão de diversas etapas de uma grande epopéia de toda a humanidade.

(e) A rápida evolução dos conhecimentos das ciências naturais (física, química, biologia) e o visível sucesso de suas descobertas no incremento da produção material e no controle das forças da natureza atraíram os primeiros cientistas sociais para o seu método de investigação.

QUESTÃO 06 – A Sociologia é uma ciência profundamente envolvida com a sociedade moderna. A investigação sociológica constitui um dos meios pelo qual a modernidade tomou consciência de si mesma. Por essa razão, a Sociologia pode ser considerada como uma ciência social cujo objeto de estudo é a sociedade moderna. Na tentativa de apresentar algumas explicações para a emergente modernidade, e a efervescente conjuntura social, política e cultural por que passava a sociedade européia, Marx, Durkheim e Weber compuseram obras clássicas. Relacione cada autor às suas obras:

(M) Marx
(D) Durkheim
(W) Weber

( )01 Escrito como uma série de ensaios entre 1904 e 1905, foram, mais tarde, complementados pelo autor e publicados em um livro, no qual ele investiga as razões do capitalismo se haver desenvolvido inicialmente em países como a Inglaterra ou a Alemanha, concluindo que isso se deve à mundividência e hábitos de vida instigados ali pelo protestantismo. Neste livro, o autor avança a tese de que a ética e as ideias puritanas, a ética calvinista (ascética), influenciaram o desenvolvimento do capitalismo nos EUA.

( )02 Nesse texto de 1893 o autor analisa as funções sociais do trabalho na sociedade e procura mostrar como na modernidade tal divisão é a principal fonte de coesão ou solidariedade social.

( )03 Conjunto de livros reunidos em um volume de 1867, apontando e criticando o desenvolvimento do capitalismo de épocas anteriores até a modernidade. Nesta obra existem muitos conceitos econômicos complexos, como mais valia, capital constante e capital variável, uma análise sobre o salário; sobre a acumulação primitiva, resumindo, sobre todos os aspectos do modo de produção capitalista, incluindo uma crítica exemplar sobre a teoria do valor-trabalho de Adam Smith e de outros assuntos dos economistas clássicos.

( )04 Texto originado de uma conferência realizada pelo autor em novembro de 1917 em que comparou a situação da universidade alemã com a realidade dos Estados Unidos e advertiu seus ouvintes de que no futuro haveria um processo de americanização da vida universitária, que seria cada vez mais parecida com empresas estatais: cientistas, professores e acadêmicos, cujas chances de promoção profissional, ainda seriam bastante determinadas pelo papel do acaso e da contingência, sempre pressioandos a conciliar a difícil vocação para a pesquisa e para o ensino. Conclui que a vocação para a ciência também exige paixão (dedicação à causa) e, além disso, inspiração para fazer uma obra relevante.

( )05 Texto publicado em 1848, sugere um curso de ação para uma revolução socialista através da tomada do poder pelos proletários. Faz uma análise histórica, distinguindo as várias formas de opressão social durante os séculos e situa a burguesia moderna como nova classe opressora. Não deixa, porém, de citar seu grande papel revolucionário, tendo destruído o poder monárquico e religioso valorizando a liberdade econômica extremamente competitiva e um aspecto monetário frio em detrimento das relações pessoais e sociais, assim tratando o operário como uma simples peça de trabalho.

( )06 Obra de 1895 em que o autor apresenta o projeto próprio de estabelecer a sociologia como uma nova ciência social. Assim sugere duas teses principais, sem as quais a sociologia não poderia ser uma ciência: Precisa ter um objeto específico de estudo. Diferentemente da filosofia ou da psicologia, o objeto próprio da sociologia é o fato social. Precisa respeitar e aplicar um reconhecimento objetivo, um método científico, trazendo-a para perto, dentro do possível, das outras ciências exatas. Este método pode evitar a todo custo preconceitos e julgamentos subjetivos.

( )07 Obra manuscrita em 1846 e só publicada posteriormente em que o autor faz críticas ao que denomina de jovens filósofos hegelianos, que considera produtores de uma ideologia alemã conservadora, apesar de se auto-denominarem teóricos revolucionários. O autor aponta para o fato de que, para estes filósofos, as transformações da sociedade se originam somente no plano do pensamento e nunca alcançam a realidade concreta. Isto porque cada um deles, criticando a teoria hegeliana, adota um aspecto desta, sem romper com a falsa noção, segundo o autor, de que é o espírito humano, e não a atividade humana, o sujeito da história.

( )08 Esse texto de 1897 foi um estudo de caso que trouxe um exemplo de como uma monografia sociológica deveria ser escrita. Estudou as conexões entre os indivíduos e a sociedade. Ele acreditava que se pudesse demonstrar o quanto um ato individual é o resultado do meio social que o cerca. Com isso teria uma prova concreta da utilidade da sociologia. Neste livro, o autor desenvolve o conceito de anomia. Ele explora as diferentes taxas de suicídio entre protestantes e católicos, explicando que o forte controle social entre os católicos resulta em menores índices de suicídio.

( )09 Texto publicado em 1904, em que o autor apresenta minuciosamente os principais temas sobre sua concepção de metodologia da ciência social e das relações entre conhecimento e prática científicas. Aponta que na investigação de um tema, um cientista é inspirado por seus próprios valores e ideais, que tem um caráter sagrado para ele, nos quais deposita sua fé e pelos quais está disposto a lutar. Em outras palavras, é preciso distinguir entre julgamentos de valor e o saber empírico. Este nasce da necessidade e considerações práticas historicamente colocadas, na forma de problemas, ao cientista cujo propósito deve ser o de procurar selecionar e sugerir a adoção de medidas que tenham a finalidade de solucioná-los. Já os julgamentos de valor dizem respeito à definição dos significados que se dá aos objetos ou aos problemas. O saber empírico tem como objetivo procurar respostas através do uso dos intrumentos mais adequados (meios, métodos). A ação do cientista é seletiva. A objetividade do conhecimento decorre, em boa medida, da incorporação consciente dos valores e do controle rigoroso dos procedimentos de análise.

Marque a alternativa que contém a seqüência correta:

1    (a) W    (b) W    (c) D    (d) W    (e) W

2          D          D          M         M          W

3          M         M          W         D           D

4          D         W           M        M          M

5          M         M           D         D          D

6          W         D           M        W         M

7          M         M          D         W         W

8          D         D          W          D         M

9          W        W         W          M          D

QUESTÃO 08 – No texto O que é Fato Social in As regras do Método Sociológico. Companhia Editora Nacional. São Paulo: 1978, Durkheim demonstra que o “social”, no sentido da coletividade, não é um somatório das individualidades, mas a sua síntese. Ao longo de breves onze páginas descreve as três características que possuem os Fatos Sociais. Segundo os excertos do texto, aponte a alternativa que apresenta essas três características do Fatos Sociais descritas pelo autor:

“(...) consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção em virtude do qual se lhe impõe.” (p. 03)

“(...) ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter.” (p. 11)

(a) Social, individual e coletivo
(b) Geral, particular e comum
(c) Público, privado e social
(d) Ação, reflexão e sentimento
(e) Coercitivo, exterior e geral

QUESTÃO 09 – Segundo a ótica marxista, que se pode ver cristalizada no Prefácio, Pg. 23 – 27. In. MARX, Karl. Contribuição à crítica de economia política. São Paulo: Martins Fontes. 1977, relacione o materialismo histórico com a existência humana. Assinale (V) para afirmação verdadeira e (F) para afirmação falsa.

I. São as condições materiais em que vive o ser humano, seu trabalho, suas relações concretas que determinam sua consciência.

II. É a consciência dos homens que determina sua existência concreta.

III. O ser social, as relações empíricas, advindas das relações cotidianas são determinadas pela consciência humana.

IV. Na produção social da existência humana os homens estabelecem relações que independem de sua vontade. Essas relações correspondem a um determinado grau de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais.

V. O desenvolvimento vida social, intelectual e política é condicionada pelo modo de produção da vida material.

Marque a alternativa correta:

(a) Há duas afirmativas falsas e três afirmativas verdadeiras
(b) Há três afirmativas falsas e duas afirmativas verdadeiras
(c) As afirmativas I, III e V são falsas
(d) As afirmativas II, III e V são falsas
(e) As afirmativas III, IV e V são verdadeiras

QUESTÃO 10 – Segundo Weber, no texto Os três tipos puros de dominação legítima. Pg. 128 – 141. In. COHN, Gabriel. Weber. Coleção Grandes Cientistas Sociais. Nº 13. Sociologia. Editora Ática. São Paulo: 1999, a dominação legítima pode justificar-se por três motivos de submissão ou princípios de autoridade, baseados em racionalidade, ancestralidade ou afetividade. Para Weber, as relações de mando e de obediência mais ou menos confirmadas no tempo, e que se encontram tipicamente nas relações de poder, tendem a se basear não só em fundamentos materiais ou no mero hábito de relações de obediência dos súditos, mas também e principalmente num específico fundamento de legitimidade.

Aponte a alternativa que apresenta estes três tipos puros de dominação legitima:

(a) Coação, persuasão e manipulação
(b) Racional, ancestral e afetiva
(c) Coercitivo, burocrático e legal
(d) Legal, tradicional e carismático
(e) Burocrático, carismático e autoritário