A ordem cronológica apresenta Marx como o primeiro, cronologicamente e intelectualmente, e Durkheim e Weber posteriormente. Porém, a ambição de criar uma nova ciência da sociedade, e compreender o mundo através dela, só é encontrada em Durkheim (através da comparação sistemática dos fatos sociais); e em Weber (através da comparação compreensiva das ações sociais individuais); respectivamente. Marx, por sua vez, não foi um sociólogo, como foram os dois últimos; mas um pensador social preocupado sim em compreender e interpretar o seu tempo e seu espaço, mas, sobretudo, transformá-lo. Pode-se afirmar que a preocupação de Durkheim e Weber era, em boa medida, de ordem intelectual e acadêmica, tinham como meta de suas obras a constituição de um campo sociológico como esfera do conhecimento científico, enquanto que a de Marx, era muito mais, com a práxis, com a transformação social.
A Sociologia é uma ciência profundamente envolvida com a sociedade moderna. A investigação sociológica constitui um dos meios pelo qual a modernidade tomou consciência de si mesma. Por essa razão, a Sociologia pode ser considerada como uma ciência social cujo objeto de estudo é a sociedade moderna. Na tentativa de apresentar algumas explicações para a emergente modernidade, e a efervescente conjuntura social, política e cultural por que passava a sociedade européia, Marx, Durkheim e Weber compuseram obras clássicas. Dessas obras pode-se retira objetos e métodos de estudo, bem como modelos para interpretação da realidade, preocupações teórico epistemológicas dos autores clássicos.
Com base nisso, e ciente de todas as limitações que as informações de um quadro abstrato resumido pode apresentar, pode-se condensar brevemente assim:
Pela ordem, estão resumidos no quadro abaixo:
Referências:
ARAÚJO, Silvia Maria de. BRIDI, Maria Aparecida. MOTIM, Benilde Lenzi. Sociologia: um olhar crítico. São Paulo: Contexto, 2009.
ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. Coleção tópicos. 6ª Ed. São Paulo: Martins Fontes. 2003
BINS, Milton. Introdução à Sociologia Geral. Porto Alegre: Editora Mundo Jovem. 4ª edição, 1985.
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BOTTOMORE, Tom; NISBET, Robert (orgs.). História da Análise Sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.
CASTRO, Ana M.; DIAS, Edmundo (orgs.). Introdução ao pensamento sociológico: coletânea de textos de Durkheim, Weber, Marx e Parsons. 9.ª ed. São Paulo: Moraes, 1992.
COHN, Gabriel. Para Ler os Clássicos. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Ed., 1977.
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GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4°ed. Artmed. Porto Alegre: 2005.
IANNI, Octavio. (org.) Marx: sociologia. Coleção grandes cientistas sociais. Nº 10. 2ª Ed. São Paulo: Ática, 1980.
MILLS, Charles Wright. A Imaginação Sociológica. Zahar Editores. Rio de Janeiro: 1975.
OLIVEIRA, Luiz Fernandes de. COSTA, Ricardo Cesar Rocha da Costa. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio. 2007.
QUINTANEIRO, Tania et al.. Um toque de clássicos: Durkheim, Marx e Weber, 3a. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 4ª edição. São Paulo: Editora Cortez, 2006.
RODRIGUES. José Albertino. Durkheim: sociologia. Nº 1. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 1978.
SELL, Carlos Eduardo. Sociologia Clássica: Marx, Durkheim e Weber. Coleção Sociologia), 2ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
TOMAZI, Nelson (org.). Iniciação à Sociologia. 2ª ed. revisada e ampliada. São Paulo: Atual, 1993.
VIANA, Nildo. Introdução à Sociologia. Belo Horizonte: Autêntica. 2006.
WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. 4ª Ed. Zahar. Rio de Janeiro:1979.
- Objeto de estudo
- Métodos
- Posições epistemológicas
- Objetivos teórico-metodológicos
- Expectativas de mundo
- Preocupações/interesses sociais/políticos
- Modelos de interpretação e compreensão
- Algumas obras pontuais
- Definição de Clássicos (segundo Norberto Bobbio)
DURKHEIM
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WEBER
|
MARX
|
Fato Social
ü Coercitivo
ü Exterior
ü Geral
Função social: cada fato social cumpre uma função social. |
Ação social: Conduta humana dotada de sentido. Racional X ñ racional
ü Racional:
fins: objetivo previamente definido (mercado financeiro)
valores: fidelidade a valores e princípios (honestidade/religião)
ü Tradicional: ancestralidade/ antigüidade/ hábitos/costumes
ü Afetiva: paixões e idiossincrasias, ciúme/inveja
Relação Social: reciprocamente orientada
|
Luta de classes
Produção social/material
Infraestrutura/Superestrutura
|
Comparativo
Abordagem empirista naturalista da realidade social
Funcionalista
Holismo metodológico (estruturalismo)
ü Social determina o individual
ü Ênfase no coletivo
Unidade ciências naturais/sociais
|
Comparativo/Compreensivo
Interpretação/Hermenêutica
ü das condutas individuais
ü das condutas sociais
Individualismo metodológico (subjetivismo)
ü Sujeito é responsável pela construção do conhecimento
Dualismo ciências naturais/sociais
|
Materialismo
Dialético
Materialismo histórico
ü Determinismo econômico
Holismo metodológico (estruturalismo)
ü Social determina o individual
ü As estruturas e não os indivíduos explicam os fenômenos sociais
|
Princípios positivistas
Objetividade
Neutralidade
Imparcialidade
|
Ciência valorativa
Neutralidade axiológica
Objetividade:
ü Sistematização (dos resultados)
ü Garantida pela reflexão
ü Incorporação das subjetividades
Especificidade histórica
|
Práxis: a objetividade se dá pela ação crítica/ na prática
Ciência: propõe o que pode, mas não o deva ser feito
Interpretação para a ação
Vida material condiciona vida social/política e intelectual
|
Explicar/descrever/classificar |
Compreender/interpretar
|
Explicar/Compreender/Transformar
|
Otimista
Ênfase na coesão e na harmonia social
| Pessimista
Crença nas lideranças carismáticas
|
Otimista
Revolução socialista
|
÷ W social (diferenciação social)
ü Anomia: afrouxamento de laços sociais
ü Egoísmo
ü Religião
|
Racionalização
ü Burocracia: “jaula de ferro”
Perda de sentido
Perda de liberdade
Religião
ü Ética calvinista (ascética) e o sucesso do capitalismo nos EUA
|
Modo de produção capitalista
ü Exploração
ü Alienação
Representação proporcionada pelo liberalismo
Estado representa a classe dominante
|
Solidariedade social:
ü Mecânica: sociedade pré capitalistas
ü Orgânica: sociedade capitalista/industrial
Suicídio:
ü Altruísta: forte identificação com a coletividade (anulação da individualidade)
ü Egoísta: desintegração indivíduo/instituições: individualismo, depressão/ desamparo/melancolia
ü Anômico: sociedades modernas/desregramento social
ü Fatalista: excesso de regulamentação moral sobre o indivíduo
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Tipo ideal
ü Construção teórica abstrata
ü Instrumento de análise científica
ü Conduz o pesquisador numa realidade complexa
Burocracia
Relações de poder
Dominação: (tipos puros)
ü Legal: (racional)
Fonte do poder (autoridade) é a lei
ü Carismático: (afetiva)
Caráter sacro/heróico/líder (sem vínculos pré determinados) ñ burocrático
ü Tradicional: ancestralidade/ “desde sempre”
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Mais valia
ü Absoluta:
aumento da jornada de W
Relativa: mecanização/tecnologia
Classes sociais;
ü Burguesia: dona dos meios de produção
ü Proletariado: despossuídos/ vendem sua força de trabalho
MP = fp + rp
fp: homem/ técnica/ instrumentos
rp: sistematização das forças produtivas
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Ø A divisão do trabalho social (1893)
Ø As regras do método sociológico (1895)
Ø O suicídio (1897)
Ø Formas elementares da vida religiosa (1912)
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Ø A ética protestante e o espírito do capitalismo (1904/05)
Ø A objetividade do conhecimento nas ciências políticas e sociais (1904)
Ø A ciência como vocação (1917)
Ø A política como vocação (1917)
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Ø Ideologia Alemã (1846)
Ø Manifesto do Partido Comunista (1848)
Ø O 18 brumário de Luis Bonaparte (1852)
Ø O Capital (1867)
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Ø Intérprete único de seu tempo. Seja considerado intérprete autêntico e único de seu próprio tempo, cuja obra seja utilizada como instrumento indispensável para compreendê-lo.
Ø Sempre atual. Seja sempre atual, de modo que cada época, ou mesmo cada geração, sinta a necessidade de relê-lo e, relendo-o, de reinterpretá-lo.
Ø Teorias modelo p/ compreensão da realidade. Tenha construído teorias-modelo das quais nos servimos continuamente para compreender a realidade, até mesmo uma realidade diferente daquela a partir da qual as tenha derivado e à qual as tenha aplicado, e que se tornaram, ao longo dos anos, verdadeiras e próprias categorias mentais.
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ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. Coleção tópicos. 6ª Ed. São Paulo: Martins Fontes. 2003
BINS, Milton. Introdução à Sociologia Geral. Porto Alegre: Editora Mundo Jovem. 4ª edição, 1985.
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RODRIGUES. José Albertino. Durkheim: sociologia. Nº 1. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 1978.
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TOMAZI, Nelson (org.). Iniciação à Sociologia. 2ª ed. revisada e ampliada. São Paulo: Atual, 1993.
VIANA, Nildo. Introdução à Sociologia. Belo Horizonte: Autêntica. 2006.
WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. 4ª Ed. Zahar. Rio de Janeiro:1979.
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